‘A mulher conquistou espaço, mas assumiu uma carga que não é sua’


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Criadora do programa Meu lar feliz e do evento “Impacto Rosa”, voltado para as mulheres, a pastora Wânia defende que a mulher seja mais submissa e que deixe espaço para o homem assumir ‘seu papel de cuidador’
Criadora do programa Meu lar feliz e do evento “Impacto Rosa”, voltado para as mulheres, a pastora Wânia defende que a mulher seja mais submissa e que deixe espaço para o homem assumir ‘seu papel de cuidador’
Filha de fazendeiros e casada com um engenheiro civil, a goiana Wânia Cristina Jorcelino Arantes, 45, poderia figurar como uma socialite ou como uma mulher de negócios. Mas a criação religiosa na Igreja Assembleia de Deus, em Anápolis-GO, desde os tempos de criança, a levou para um caminho diferente. Se aprofundou nos estudos da Bíblia e profere a palavra de Deus em prol da “edificação” da família.
 
Ordenada pastora, Wânia veio para Franca acompanhar o marido no trabalho e com o tempo acabou ganhando espaço na TV fechada com a apresentação do programa Meu lar feliz.
 
Atualmente, ela comanda um programa de rádio pela internet e realiza uma vez por mês um evento voltado para as mulheres denominado “Impacto Rosa”. O próximo acontece quinta-feira, em um salão na Vila Nicácio.
 
Wânia conta que sua relação intensa com a religião começou quando ela tinha 11 anos. Após ouvir as pregações de um pastor, decidiu escrever uma carta para Deus pedindo um marido. Aos 20 anos ela se casou. Para ela, não há dúvida de que foi atendida e tem certeza sobre o escolhido em razão de sua conexão com Deus. “Sempre fomos muito próximos, tenho um relacionamento muito forte com Ele, uma paixão”.
 
Mãe de dois filhos, Wânia se diz uma mulher zelosa, bem casada, autodidata que cuida da casa e uma defensora da família. Nessa entrevista, ela conta um pouco de sua história, dos seus pontos de vista e explica porque tem atraído centenas de mulheres para suas pregações.
 
A senhora conheceu seu marido apenas dois meses antes de se casarem. Como foi isso?
Quando tinha 11 anos escrevi uma carta para Deus pedindo meu marido. Orei e confiei que Deus trouxesse meu marido e aquilo era muito forte dentro de mim. Na minha cabeça, desde pequena, vislumbrava uma família, um lar. Gostava daquela frase “Lar, um pedacinho do céu” e achava que aquilo era possível. Visualizei isso, idealizei para mim. Veja como é importante a gente sonhar, acreditar que nós podemos sim construir o que queremos. Como a menina de 11 anos pode pensar assim? Foi fruto de uma pregação, de uma fala do meu pastor que estava nos ensinando como orar, como pedir a Deus o que você quer. Idealizei o meu esposo, sonhei com ele e quando ele chegou, nem me pediu em namoro, me pediu em casamento e nos casamos em 55 dias.
 
Chegou a ficar com medo de não dar certo?
Não tive medo, porque havia uma certeza em meu coração e uma intimidade com a voz de Deus. Quando Deus está presente, Ele te traz paz, alegria e tranquilidade. Quando Ele não está, fica angustiante, pesado de carregar. Foi uma revolução, porque eu era uma menina muito conhecida, me casei com 20 anos e completamos em dezembro passado 25 anos de uma história linda, com ele eu me casaria novamente. É o melhor que Deus poderia fazer na minha vida. Não falo para ninguém casar assim em 55 dias. Isso é uma loucura, precisa ser algo de Deus.
 
Como Franca entrou na sua história?
Meu marido é engenheiro civil, constrói usinas para Furnas e precisou vir para a região. Faz 15 anos que estamos em Franca e há oito começamos o programa de tv chamado Meu Lar Feliz. Estava aqui nessa sala (em sua casa), tranquila e o senhor falou comigo que havia chegado a hora de me levar para milhares e milhares de pessoas. Mas eu não sabia como, mas Deus falou que me mostraria o caminho. Eu tinha um site com o mesmo nome e o Ricardo Salomão (diretor da RSTV) de alguma forma compreendeu essa minha missão e me fez a proposta de fazer o programa. Fiquei assustada. Fiz a primeira gravação, mas não ficou bom. Achei que o piloto não seria aprovado, que não daria certo, mas ele foi para o ar. Fiquei apreensiva, mas depois fui me acostumando, tomando gosto e foi um tempo bem legal.
 
Quando surgiu o “Impacto Rosa”?
Depois de alguns programas na TV, as mulheres foram me achando, me viam na rua e perguntavam “onde ouço você, onde vejo suas ministrações” e não havia nenhum lugar. Ainda estava resistente à questão pública. Mas chegou o momento de tornar público, de ir para um local neutro, sem ligação com igreja. Meu desejo não é que elas se tornem crentes e sim que conheçam a palavra de Deus. Reunimos num lugar neutro para receber as mulheres de diversas denominações e ali se torna um hospital de cura. As pessoas ali recebem um olhar, uma oração, um consolo, uma instrução de sabedoria. É o encontro da minha missão. Existe há três anos, primeiro foi anual com uma resposta grande e depois aconteceu uma vez por mês, sem cobrar convite. O nome surgiu na minha cabeça, um nome atrativo para chamar as mulheres. Hoje ele acontece toda última quinta-feira do mês no bufê Styllus (rua Carlos de Vilhena, 3360, Vila Nicácio).
 
Como a senhora enxerga a mulher hoje?
A mulher contemporânea é incrível, avançou, conquistou espaço, mas sempre falo que não me alio “àquelas mulheres que queimaram sutiã, que bancaram esse projeto de independência. Não é assim que deve ser. A mulher tem o seu papel e o homem, o dele. Hoje as mulheres estão carregando uma carga tão pesada, que começaram a adoecer em massa. Com o avanço das mulheres, os homens estão recuando, enquanto elas ficam mais macho, não querem depender do homem financeiramente e buscam a independência até para ter o próprio filho. Esse não é o padrão de Deus.
 
A pastora é contra a mulher trabalhar?
Pelo contrário. Isso não significa que a mulher virtuosa deva ser uma “Amélia”, uma coitadinha no canto. Não. Ela deve ser incrível, profissional, bem sucedida e precisa entender o papel dela como mulher, feminina. Tem que dar valor ao seu marido, aos filhos, à sua casa. O caos que estamos vivendo é porque a família está em decadência. É fato que a família hoje depende da renda dos dois, não condeno o fato da mulher trabalhar. Quero sim é que o fardo fique mais leve para ela, porque está pesado. Ela vai para o trabalho, chega, tem a casa para arrumar, os filhos para cuidar e o marido muitas vezes não a ajuda nem a lavar uma louça. Isso é complicado.
 
O que a mulher deve fazer para o fardo ficar mais leve?
A mulher precisa entender o seu papel. Não assumir uma carga que não é sua. Posso ir trabalhar, mas não sou chefe da minha casa. Não sou a líder e a responsável financeiramente da minha casa. Cada um entra com sua parte, mas a responsabilidade é do meu marido. Ele é o homem, a cabeça que deve assumir a função. Se a mulher assumir o seu papel, ele será muito bem sucedido também. A bíblia diz que a mulher sábia ganha confiança do homem e sua casa terá grande prosperidade.
 
E qual é o papel do homem?
O homem precisa ser protetor, guardião da mulher e dos filhos. Ele precisa suprir, ter um olhar diferenciado, generoso. Pensar sempre “eu vou buscar o melhor para a minha família”. Vejo isso no meu marido, ele abre mão dele por nós, para nos ver bem. Deus criou o homem para cuidar da família, zelar por ela.
 
A senhora defende uma mulher submissa ao marido?
Com certeza. A palavra submissão sumiu do nosso vocabulário e as mulheres que ouvem submissão têm até um arrepio. Mas como não ser submissa a um homem guardião e protetor? Agora, qual mulher será submissa a um homem que bate nela, que a inferioriza? De maneira alguma, Deus quer isso. A submissão precisa ser entendida. Existe um padrão e padrão deve ser seguido. É como uma franquia, o empresário adquire uma franquia pela segurança do sucesso. Já foi aprovado e testado, é só seguir.
 
Como a senhora vê a ocorrência de inúmeros crimes passionais?
Como uma doença da alma. As pessoas estão doente e buscam no outro, o que o outro nunca dá conta de dar. A carência faz a pessoa entrar por um labirinto do qual ela não consegue sair. Tem mulheres que se sujeitam a um homem que abusa da própria filha! A mãe sabe, mas ela é tão carente, doente na alma, que suporta matar a filha a perder o marido, tudo em troca de uma relação de sexo, que para ela está bom. É uma doença.
 
Tem como resolver?
Só Jesus. Ele sofreu as maiores dores na alma. Jesus sabe o que é depressão, síndrome do pânico, doenças, traumatismos. Jesus sabe tudo. Se eu entender meu processo de cura Nele e na cruz, vou me abastecer. Ele é a fonte da minha segurança, da minha cura, meu bálsamo. Ele sossega a minha alma, acalma meu desespero, faz eu parar de exigir do meu marido, dos meus filhos. Somos humanos e não conseguimos suprir os outros. Precisamos ser leves, felizes, ter o coração calmo.
 
A senhora falou de família modelo. Como vê as famílias homossexuais?
Cada um é cada um. Não estou aqui para julgar e condenar ninguém. O modelo e o padrão de Deus é o homem e a mulher, mas esse modelo está um caos. Agora como será o casamento de dois homens ou duas mulheres, se darão certo? Só o tempo dirá. Acredito que eles possam dar conta sim de educar filhos, há muitas crianças sem lares, mas precisam ter responsabilidade para colher as consequências das suas escolhas e atitudes. Respeito os indivíduos, as pessoas, mas não os vejo como família.
 
Ainda sobre famílias, por que muitos casamentos hoje não dão certo?
É muito complexo, mas vejo que o acúmulo de funções das mulheres e o recuo dos homens são fatores que influenciam. Não vou generalizar, mas os homens estão fracos. Há mulheres que se queixam para mim que têm uma lâmpada para trocar há muito tempo e o marido não troca... Coisas simples acumuladas destroem um casamento. Falta de perdão e falta diálogo. É preciso conversar, falar o que não gosta, não dormir brigado. Os dois precisam querer dar certo.

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