Mais uma vez, um membro da desastrada administração de Alexandre Ferreira (PSDB) deixou bastante claro o verdadeiro desgoverno que tomou conta da Prefeitura de Franca. Considerada uma das piores gestões da história do nosso município, a gestão atual acumula, nos últimos dois anos, uma série de desacertos e irregularidades, a maioria delas inexplicadas, mas também alvo de investigação do Ministério Público e da Justiça Federal. Quem anda pelas esburacadas ruas de Franca, onde se acumulam problemas nas áreas de trânsito, saúde e educação, percebe que a cidade está acéfala, sem ter quem se mova para atender aos mínimos anseios da população. Hoje, o francano se sente órfão e sem ter a quem recorrer para resolver os problemas que o afligem.
A audiência do secretário municipal de Planejamento Urbano, Nicola Rossano, na Câmara de Vereadores, convocado para prestar esclarecimentos sobre denúncias que atingem sua pasta, evidenciou o desgoverno e a falta de prioridades que movem o Executivo francano. Ao dizer que não há como fiscalizar o andamento de obras contratadas pela Prefeitura, passa recibo de incompetência e abre brechas para todos os tipos de fraudes. Guardadas as devidas proporções, permite aqui o mesmo que causou prejuízos bilionários à Petrobras, de acordo com as investigações da Operação Lava Jato, que coloca diretores da estatal, empreiteiros e políticos sob a mira da Justiça.
A questão não é a impossibilidade de fiscalizar, mas sim o próprio secretário admitir isso. Para dizer o mínimo, a ingenuidade de Nicola Rossano é fenomenal. Confiar no que lhe dizem, sem se preocupar em conferir o que está sendo feito, causa espanto. Ainda mais se projetarmos esta atitude para outros assuntos sob sua responsabilidade. Qualquer gestor bem sucedido delega funções, mas também acompanha de perto tudo o que é pertinente ao bom funcionamento de seu empreendimento. “Confiar desconfiando é uma regra muito salutar da prudência humana”, bem disse o Marquês de Maricá (1773-1848), um escritor, filósofo e político brasileiro que deixou frases lapidares relacionadas à política e à ética.
Ao admitir a falta de fiscalização e os erros nas medições de obras, Rossano deixa claro que não tem qualquer controle sobre o que fazem os seus subordinados. Assim, o melhor seria pegar o boné e deixar o cargo. Investigação do MP descobre sobrepreço em obras de creches em Franca e uma gravação apontou que materiais da Prefeitura eram levados por subempreiteiros para quitar dívidas da construtora contratada para a construção. São fatos muitos graves para que fiquem por isso mesmo. E não são cenários isolados nessa administração. Basta lembrar do acordo firmado a portas fechadas pela prefeitura com a Empresa São José ou,pior, as oito mortes suspeitas relacionadas ao atendimento público de saúde em nosso município e que, mais de um ano depois, continuam sem explicação para as famílias. Há vários outros fatos graves que vão se avolumando nessa administração, que peca até por manter na comissão de licitação um servidor processado pela Justiça por causa de irregularidades.
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