A empresária Leda Contini Teixeira, 43, é o que se pode chamar de fiel admiradora de uma mesma marca e modelo. Em 16 anos, ela já está em seu sexto Gol e a depender do gosto e da empolgação com que fala do carro nada indica que trocará por outro tão cedo. Para ela é uma relação de confiança. “Peguei gosto quando comecei a dirigir o de um ex-namorado e nunca pensei em ter outro carro”, disse ela, que é proprietária de uma versão 1.6, ano 2013. “Não adianta nada ter um carro um pouco mais caro ou melhor, mas não encontrar peças ou não conseguir vender depois”, emendou.
Quem tem a mesma opinião da comerciante é o professor Leandro Girardi. Com três Gols no currículo, seu último modelo foi furtado dentro de um estacionamento na região da Avenida Rebouças, na Zona Oeste de São Paulo. Fora o contratempo de nunca mais encontrar o carro, que tinha seguro, Girardi disse que a liderança no mercado de automóveis brasileiro não deve ser por acaso. “Hoje o que as pessoas precisam é ficar longe de uma oficina”, disse. “Com o preço da gasolina, carro tem que ser solução e não gerador de problemas para seu dono”, disse.
Nos últimos dias, o estacionamento do comerciante Elias Borges Reis mantinha em exposição um Gol preto, ano 2009, que estava sendo vendido por R$ 17.900 e a expectativa dele era de vender rapidinho. Segundo Reis, o modelo é um dos mais procurados por clientes e está no topo dos mais valorizados no mercado. “Não tem nenhuma dificuldade para vender e é sempre muito bom de negócio”, disse.
O gerente da Francauto, concessionária Volkswagen em Franca, Márcio Henrique Ferrari, avaliou que a aceitação do Gol pelo público passa pela história de ícones da montadora alemã, como o Fusca e a Kombi. Segundo ele, o Gol sempre foi pioneiro e inovador na apresentação de novas tecnologias e isso pode ter despertado o gosto do consumidor a ponto de fazer com que o modelo figurasse como o carro mais vendido do Brasil de 1980 e 2013. “Além dessas questões, o carro tem um volume alto de venda graças ao seu valor de revenda, pois não desvaloriza”, ponderou Márcio Ferrari.
Com relação à preferência do motorista de Franca pelos veículos de cor preta, o gerente da Francauto acredita que isso vem mudando nos últimos anos. No caso específico do Gol, como é um carro que agrada ao público jovem, a cor preta foi predominante, mas hoje a maior parte dos carros que deixa a concessionária é branca. “A cor preferida em Franca sempre foi o prata ou o preto, porque elas influenciavam até no preço de uma revenda”, disse Ferrari. “Hoje isso mudou. A entrada de novas marcas, novos modelos, está trazendo novas cores para os carros brasileiros a ponto de termos lista de espera para veículos pintados de abóbora.”
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