Campanha eleitoral é campanha eleitoral. Na busca de votos, tudo é permitido. Promete-se tudo, compromete-se com todos. Benesses e mercês são distribuídas com ampla generosidade. O povo vira rei e o rei torna-se o seu mais fiel servidor. Nenhum direito, nenhuma regalia, nenhum benefício são negados ou retirados do trabalhador.
Foi assim, baseada nas regras da boa política, que a Presidenta Dilma declarou:
- Nem que a vaca tussa eu diminuirei os direitos do trabalhador brasileiro.
Pois bem, prezado leitor! Tomo a liberdade de perguntar-lhe:
- A vaca tossiu? A vaca espirrou? A vaca, ao menos, raspou a garganta?A vaca resfriou-se?”
Sim, prezado leitor, a vaca tossiu. Sem que você tenha visto, ouvido ou sabido, a vaca tossiu. Tossiu e mugiu nos bons pastos do planalto central. O governo eleito e empossado abriu o seu “saco de maldades” e despejou-o nos ombros dos trabalhadores nacionais. Mexeram na aposentadoria, no seguro desemprego, no auxílio doença e em outras questões previdenciárias e estão, até agora, tentando provar que os direitos dos trabalhadores continuam inalterados.
Não adianta, caro leitor, não adianta mesmo! Neste Brasil, velho de guerra, vai governo e vem governo e quem paga a conta é sempre o contribuinte. Os desvios e as ineficiências da máquina burocrática são sempre corrigidos com aumento de impostos. Você, sacrificado leitor, já ouviu falar em corte na quantidade de cargos em comissão, em diminuição do número de ministérios, em redução de salários dos parlamentares e servidores públicos, na eliminação de subsídios para certas empresas ou atividades? É claro que não!
No Brasil, o apenado é sempre o trabalhador. É ele quem paga as taxas, os tributos gerais, os emolumentos, as tarifas, as benesses e mercês distribuídas pelas autoridades de plantão. São os trabalhadores, aqueles que acordam cedo, pegam ônibus lotado, trabalham o dia inteiro no chão de uma fábrica que pagam as bolsas generosamente concedidas pelos governos populistas e demagógicos. Para os trabalhadores, os encargos, os custos de uma administração incompetente. Para os ociosos, as bolsas, as bolsas de toda espécie: bolsa gay, bolsa drogado, bolsa delinqüente, bolsa biscate, bolsa...
E quem financia tudo isso é o suor do trabalhador brasileiro.
A vaca tossiu. Ela sempre tosse, inocente leitor, E enquanto ela tosse, o trabalhador urra e muge nas esteiras rolantes do país.
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
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