Confiança perdida


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A CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulga, periodicamente, resultados do ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial), levantamento feito desde 1999. Nele estão refletidas as expectativas do empresariado em relação a seus negócios, às condições atuais da economia brasileira e expectativas futuras. Dividido setorialmente entre indústria de transformação, extrativa e de construção, cobre as cinco regiões do país e as empesas são catalogadas de acordo com o porte. Valores abaixo de 50 pontos equivalem a falta de confiança. 
 
Em janeiro último o índice recuou para 44,4 pontos, o mais baixo de toda a série desde sua criação, atestando que empresas de todos os portes, regiões, segmentos e setores industriais iniciam 2015 com total falta de confiança. O índice recuou 0,8 ponto em relação a dezembro de 2014 e acumula queda de 8,7 pontos na comparação com janeiro de 2014. 
 
Na indústria de transformação a ‘desconfiança’ é maior. O índice é o mais baixo da série histórica, 44,2. Na de construção, 44,6 e, na extrativa, 45,0. Em termos regionais, a falta de confiança é maior no sudeste, 40,8, e menor na região norte, 49,5. Particularmente, na indústria de couros e artefatos o índice chega a 41,1 e na de calçados e suas partes a 39,0.
 
Quem vai querer investir em ambiente no qual não confia? Esta é a raiz dos problemas da indústria brasileira, que diminui, a cada ano, a participação no produto nacional, perde espaço, dispensa trabalhadores. Nesse quadro de ‘desconfianças’, o que esperar do futuro? A relação entre governo e empresários deve pautar-se pelo respeito e pela reciprocidade. Sem emprego, não há renda para o trabalhador; com inflação e carestia, fica difícil consumir. Sem reforma tributária, regras claras de governança, política econômica consistente, enfim, sem confiança, a prudência manda não investir. Sem investimentos, não há crescimento sustentável.
 
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP

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