Em trinta e dois anos advogando na área empresarial, tive a oportunidade de conhecer realidades diferentes no universo dos negócios.
Mantive contato estreito com empresas de grande sucesso, com crescimento sustentado e capaz de navegar com bastante eficiência por períodos de turbulências econômicas internas e externas.
Na mesma medida atendi. ao longo desses anos, empresas que foram sólidas no passado, mas que, a partir de determinado momento, não conseguiram mais administrar as contingências econômicas que sobre elas se abateram. Infelizmente, algumas dessas acabaram desaparecendo do cenário econômico de nossa cidade, deixando grandes passivos e intrincadas pendências judiciais.
Com essa relativa experiência acumulada posso afirmar hoje, sem medo de errar, que a principal causa do insucesso empresarial e da própria falência é a falta de diagnóstico, com presteza, da realidade econômica, financeira e patrimonial da empresa e a consequente tomada de decisões indispensáveis.
Os problemas econômicos em agrupamentos empresariais tendem a crescer rapidamente e não de forma aritmética, mas sim, e infelizmente, de forma geométrica, razão pela qual as decisões precisam ser rápidas e eficientes.
Observei também que grupos econômicos com várias pessoas detendo poder de decisão ao mesmo tempo — o que ocorre com muita frequência em empresas familiares —, decisões corretivas acabam sendo tomadas com muita morosidade, razão pela qual é sempre prudente que uma pessoa, no máximo duas, detenham o poder de comando.
A dinâmica do mundo empresarial moderno não permite vacilos, nem decisões fora do tempo, tardias. Quando uma empresa permite que tais circunstâncias tomem conta de sua gestão , seus sócios ou acionistas, seus funcionários, fornecedores e a própria sociedade como um todo, é que acabam pagando a conta.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
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