Chamou a atenção, na última semana, a informação de que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), recebeu em seu gabinete um ex-deputado aliado (Sigmaringa Seixas) e o advogado de um dos acusados de participar do “clube da propina” que se criou para desviar recursos da Petrobras, descoberto pela Operação Lava Jato da Polícia Federal. Ao ser questionado sobre a razão desta reunião, o ministro preferiu se calar, não revelando os detalhes da conversa que teria tido com o advogado, dizendo a jornalistas que o abordaram que a reunião deveria ser considerada “fora da agenda”. Instado a revelar o teor da agenda do titular da pasta, o ministério limitou-se dizer que o arquivo tinha sido danificado por um problema do computador.
Fatos assim são abundantes no nosso País, onde não apenas os políticos, mas também os entes públicos, consideram que não devem prestar contas de seus atos a ninguém, principalmente quando agem erradamente, contrariando o que se exige deles. Ledo engano. Qualquer ministro da presidente Dilma Rousseff (PT) é ministro da República Federativa do Brasil. Não é ministro deste ou daquele partido, como tentam fazer crer com as suas atitudes. Eles têm a obrigação de se explicar aos que elegeram o governo que aí está, pois são eles, os eleitores, que, no fim das contas, também são responsáveis pelos salários e mordomias dos eleitos. Soube-se, depois, que Cardozo orientou o advogado a impedir que seu cliente fechasse um acordo de delação premiada, acenando para os desdobramentos favoráveis aos réus do processo do Petrolão.
Esquece-se o ministro que sua posição não lhe permite agir nos interesses do seu partido ou aliados. Ele está lá para garantir o cumprimento da Justiça e a punição dos criminosos, como são os réus da Operação Lava Jato, que desviaram milhões (e até bilhões) de dólares da maior estatal brasileira. Referindo-se ao caso,em público a presidente disse que deveria ser feita justiça “doa a quem doer”. Mas nos bastidores,em particular, parece ser outra sua atitude, ainda mais quando se sabe que a investigação pode atingi-la, assim como seu padrinho e antecessor Luís Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores.
Em Franca não é diferente. Depois da passagem da secretária Municipal de Saúde, Rosane Moscardini, pela Câmara Municipal, onde ela falou o que quis mas não prestou contas das irregularidades que cercam a sua pasta — inclusive com oito mortes suspeitas ligadas ao atendimento público de saúde no município —, o Legislativo deve receber nesta quinta-feira o secretário de Planejamento e Urbanismo, Nicola Rossano. Ele foi convocado para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de fraudes envolvendo a construção de quatro creches da Prefeitura. Mais uma vez, a população francana corre o risco de ser ludibriada se os vereadores mantiverem a mesma postura da semana passada. O povo pede e merece explicações. A Câmara não pode mais fazer de palhaços aqueles que elegeram os seus integrantes. Os gestores públicos de Franca (e toda a classe política brasileira) precisam aprender a agir de forma correta e assumir a responsabilidade pelos seus erros. Mas, pelo andar da carruagem, não será ainda desta vez que a verdade sairá do poço.
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