Com o início da Quaresma, em que os católicos mantém a tradição de não comer carne vermelhas às quartas e sextas-feiras, as peixarias de Franca começaram a registrar ontem, 18, um aumento na procura por peixes. A expectativa é que durante todo o período (40 dias) mais de 20 toneladas de pescado sejam comercializadas na cidade e, na Semana Santa, haja pico nas vendas, com aumento de até 100% na procura.
Para a proprietária da peixaria Tambaqui, Sirlei Bernadineli, o aumento é sentido com mais intensidade na Quarta-feira de Cinzas e na Quinta e Sexta-Feira Santa. “São nesses dias que o consumo é maior e se tem mais procura devido à tradição de não comer carne”, disse a comerciante, que revela ter mais demanda por peixes com menor preço. “Os mais baratos são os que vendem. Eles são saborosos e como tem uma quantidade maior de oferta, o preço é menor.” Entre eles estão o cascudo, mandiaçu, merluza, pescadinha e até mesmo a sardinha, vendida a R$ 7,90 o quilo. Os demais peixes custam em média R$ 13 o quilo.
De acordo com Carlos Adriano Mendes, da Tilápia e Cia, há quem prefira algo diferente e, por isso, a peixaria oferece como opções peixes temperados e também pratos prontos, como filés de tilápia, linguiça, lasanha e bolinhos, todos feitos à base de peixes. A variação visa oferecer maior comodidade no preparo para o consumidor e agradar o público mais jovem, que também procura por salmão e tilápia, utilizada como peixe branco na culinária japonesa.
O padre Reinaldo Ferreira Pequeno, pároco da Paróquia Santo Antônio, no bairro Cidade Nova, diz que a Igreja Católica recomenda a abstinência de carne principalmente na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, como gesto de penitência. “É uma forma de provar a fraqueza humana e que já faz parte da nossa tradição. Muitas pessoas recorrem ao peixe nesses dias, porém, se não houver condições ou esquecer, ela pode substituir e até fazer em outro dia.”
O proprietário da peixaria Água Viva, Eduardo Ribeiro, diz que os consumidores mais velhos ainda preferem peixes inteiros, como pacu, cascudo, tucunaré, enquanto os mais novos procuram por tilápia, salmão e frutos do mar, como camarão, lula e mariscos. “São produtos nobres que têm bastante saída. O aumento em geral é significativo. É a melhor época para a venda de peixes, calculo um crescimento de 50% no período.”
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