Janaína é uma mocinha de cabelos de molinha e usa elásticos coloridos para prender suas tranças. Desde pequena repara nas miudezas que segura em suas mãos e observa a temperatura, as formas, as texturas, os sabores e os cheiros de todas as coisas.
Nunca nada é igual, e às vezes a mesma coisa não é mais a mesma quando observada duas vezes. Tudo é diferente; desde as bolas de sabão até as pessoas.
No jardim de casa havia um pé de beijo. Mas não dos beijos que recebemos como demonstração de carinho. “Beijo” também é o nome de uma flor, então se tratava de um arbusto florido e no adocicado do “beijo-flor” estava uma abelha que zunia diferente das outras, Janaína a escutou com atenção e pensou: “esta abelha poderia tocar violino”.
Esse pensamento dela veio ao encontro do meu enquanto eu imaginava que a solução do mundo seria plantar beijo no quintal, mas daquele tipo que nos fizesse colher afetos e junto a ele seria maravilhoso plantar abraços também.
Entreolhamo-nos alegres.
Janaína trocou de roupas e fizemos um passeio. No meio do caminho barulhento por causa dos carros, ela desacelerou os passos dos pequenos pés e disse:
_ Escute! Um passarinho canta sentado no fio.
Parei e olhei, o passarinho estava no fio sobre as nossas cabeças, eu mesmo não o tinha notado, meus olhos não são tão atentos quanto os ouvidos dela que declinam naturalmente para toda beleza do mundo.
Os olhos de Janaína não enxergam; pois, os olhos dela são feitos para sorrir e então ela sorri. Sorri muito e com seu sorriso enxerga todas as cores.
Entardeceu e o sol foi dormir tranquilo após tocar de leve a face da menina, foi quando pousou suave em seu ombro uma borboleta azul bem pequena e próxima ao ouvido de Jana a borboleta sussurrou um segredo, depois voou.
Qual era o segredo da borboleta azul nos ouvidos da menina cega?
Não sei responder com as exatas palavras, porém tenho certeza que era algo sobre a felicidade. E revelava a verdadeira magia das fadas que são capazes de ver os nossos desejos por dentro de nós, onde ninguém mais vê.
Creio que as fadas são cegas também.
Por: Milla Souza
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.