Série ‘Buuu’ mistura ciência e fantasmas


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Crianças ajudam os fantasmas de dois cientistas a encontrar o “soro da imunidade”, descoberto por um faraó
Crianças ajudam os fantasmas de dois cientistas a encontrar o “soro da imunidade”, descoberto por um faraó
Num tempo em que vampiros têm histórias complexas na ficção, chegou a vez dos fantasmas. Em Buuu - um Chamado para a Aventura, superprodução que o canal infantil Gloob começa a exibir em 9 de março, personagens que já morreram se misturam aos vivos numa missão científica.
 
Escrita por Luiz Caramez e Eduardo Pereira e produzida pela Casablanca, a série mistura lições de biologia com aventura. Nela, um grupo de crianças percorre um mundo subterrâneo em que enfrentam monstros. Tudo começa quando Carlinhos (Henrique Filgueiras) e Casca (Nicolas Cruz) vão ao Instituto Butantan e se deparam com o fantasma do avô, um pesquisador e amigo de figuras históricas como Carlos Chagas (1879-1934) e Vital Brasil (1865-1950), criador da instituição. As almas de Chagas e Brasil permanecem no local, pois eles tentam encontrar a fórmula de um soro da imunidade, criado por um faraó.
 
Impossibilitados de percorrer o mundo, eles explicam a situação aos netos de Reginaldo (Rogério Marcico), que descobrem a entrada para uma pirâmide subterrânea na parte externa do instituto. Lá, eles terão acesso a uma passagem que leva a estruturas  semelhantes em outros países, onde pensadores conhecidos, como Leonardo da Vinci, também tentaram descobrir a fórmula secreta.
 
Na missão, os dois meninos pedem o reforço das amigas Isadora (Lyvia Maschio), que tem coragem de encarar os seres estranhos que eles encontram pelo caminho, e Chica (Any Gabrielly), uma geek que anda com seus aparelhos para fazer pesquisas on-line quando o grupo precisa de ajuda. “Às vezes, não tem sinal dentro da pirâmide e ela não consegue usar o tablet”, conta a atriz, de 12 anos.
 
A cada episódio, as crianças entram e saem dos túneis subterrâneos, pois precisam consultar os cientistas-fantasma no instituto. Por isso, foram criados 26 cenários. Como é preciso revezar o mesmo espaço em um estúdio, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, a produção de Buuu recorreu a truques. “Usamos uma lente olho de peixe porque há pouco espaço, é para parecer maior”, afirma o diretor de fotografia César Ishikawa.
 
Na busca pelo tal soro da imunidade, o grupo de protagonistas se alia a criaturas exóticas que habitam a pirâmide. Um deles é o gorila azul Simi (Danilo Ribeiro), que, apesar de bronco, ajuda crianças. Diferentemente de The Walking Dead, em que zumbis atacam humanos, a série infantil conta com uma morta-viva do bem, Kiki (Márcia de Oliveira) adolescente. Com o comportamento típico da idade, ela quer contrariar os pais e não se alimenta de seres humanos.
 
 
QUEM FOI CARLOS CHAGAS?
Carlos Chagas  nasceu em Oliveira, Minas Gerais, em 1879. Ficou órfão aos 4 anos. Estudou no Colégio São Luís, em Itu, no interior de São Paulo. Foi médico, cientista, pesquisador e sanitarista. Dedicou-se ao estudo das doenças tropicais. Descobriu o protozoário causador da malária e também o parasita transmissor (chamado barbeiro) da doença de Chagas.
 
Carlos Chagas ingressou na Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro com 18 anos. Em 1902, já formado, iniciou sua tese “O ciclo evolutivo da malária na corrente sanguínea”, concluída em 1903. Dedicou-se ao estudo das doenças tropicais. Em 1904 instalou seu laboratório particular no Rio de Janeiro. Por indicação de um  professor famoso, Miguel Couto, passou a trabalhar, com orientação de Osvaldo Cruz, no Instituto Soroterápico Federal, hoje Instituto Osvaldo Cruz.
 
Carlos Chagas foi reconhecido por suas pesquisas e descobertas, recebendo prêmios e homenagens de vários países, entre eles, Alemanha, França, Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra e Estados Unidos.
 
Faleceu em 1934, no Rio de Janeiro. Tinha 54 anos.
 
 
QUEM FOI VITAL BRASIL?
Vital Brasil nasceu em Campanha, Minas Gerais, em 1865. O pai era fazendeiro, mas o filho estudou com grandes dificuldades. Ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro aos 21 anos.
 
Formado, foi  trabalhar em Botucatu, interior de São Paulo. Ali, onde a produção de café ia se tornando grande, muitos lavradores morriam de picada de cobra. Preocupado com isso, dedicou-se por muitos anos a desenvolver um soro contra os venenos de cascavel e jararaca, as duas espécies que mais matavam no Brasil. Conseguiu fabricar o soro anti-ofídico, que  passou a ser conhecido no mundo inteiro. Foi uma enorme conquista. No Brasil, país tropical de grande variedade de cobras peçonhentas, enorme era o número de pessoas picadas que morriam ou ficavam aleijadas. 
 
O lugar das pesquisas com veneno de cobras passou a se chamar Butantan. Ali o cientista trabalhou até o fim de seus dias. Seu  espírito humanitário o tornou muito querido. Adorava crianças, .amava as árvores e os pássaros. Morreu no Rio de Janeiro, em 1950.

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