Confirmando tudo o que se disse após a reeleição de Dilma Rousseff (PT) no ano passado, a presidente não deverá ter vida fácil com o novo Congresso Nacional, empossado há quatro semanas. Passado o Carnaval, quando o País começa a trabalhar, o governo federal terá muitos problemas pela frente, além da insatisfação geral com a explosão da inflação e o reajuste de preços dos combustíveis que causou impacto tremendo no consumo e nos serviços. Os problemas enfrentados por entidades que dependem do SUS (Sistema Único de Saúde) para manter o atendimento aos que não têm como arcar com os valores cobrados por um plano de saúde agravam-se neste início de ano, após mais uma década sem que o valor pago pelo governo federal pelos procedimentos sejam reajustados.
A questão do endurecimento do Congresso não passa apenas pelos novos parlamentares eleitos (houve uma renovação de pelo menos 1/3), mas também pelo afastamento de deputados federais da base aliada. A montagem da equipe de governo serviu para afastar integrantes de alguns partidos, como PTB e PDT que, com suas bandeiras trabalhistas, já se colocam frontalmente contra o endurecimento na concessão de benefícios assegurados aos trabalhadores, como seguro-desemprego e pensões por morte. Por isso, logo nos primeiros dias de março o embate deverá movimentar não apenas a oposição, mas também até membros da base aliada que não concordam com os pontos do ajuste fiscal elaborado por Joaquim Levy, ministro da Fazenda.
As pressões são grandes também para que o governo federal reajuste as tabelas do SUS a fim de evitar que um grande número de hospitais e instituições filantrópicas simplesmente feche. Aqui em Franca, o maior hospital da região, que recebe os pacientes de praticamente duas dezenas de municípios, só manteve os atendimentos depois de passar por um verdadeiro choque de gestão, além de receber aportes mensais do governo estadual. Apenas desta forma evitou-se o caos e a Santa Casa de Misericórdia permanece atendendo, mesmo que ainda aos trancos e barrancos. Agora, a situação abala outra instituição já centenária, com uma excelente folha de serviços prestados e um dos únicos do Interior de São Paulo. O Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec” também pode paralisar o atendimento pelo SUS caso não haja um reajuste nos valores pagos.
O problema vem atingindo hospitais filantrópicos ou beneficentes por todo o Brasil. Por isso, os parlamentares, pressionados por prefeitos de suas regiões, também poderão exigir do governo uma atenção especial para o setor de saúde, principalmente por causa da constatação de que dinheiro que poderia ser usado para melhorar o atendimento público em todo o País tem escoado pelo ralo da corrupção, engordando o caixa de partidos políticos e o bolso de operadores e empreiteiros. Um novo imposto está completamente fora de questão, diante da enxurrada deles neste começo de ano. É preciso buscar a justiça fiscal e a aplicação consciente e responsável das verbas públicas. Realmente, será um trabalho difícil para Dilma Rousseff e sua equipe.
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