A política brasileira já teve momentos vergonhosos que, se fôssemos enumerar aqui, tomaríamos conta de várias edições consecutivas do Comércio. São episódios que envergonham o brasileiro, seja pela desfaçatez do ente público, pela cara de pau e pelas ações ilegais, escudadas por uma legislação que permite a muitos políticos agirem como uma classe à parte, tripudiando sobre aqueles que os elegeram, sem tomar conhecimento das demandas da maioria de nossa população. Já tivemos deputado que justificou a fortuna que era desviada dos cofres públicos como resultado de ganhos na loteria (ele teria vencido centenas de vezes o prêmio principal, algo que contraria qualquer prognóstico). Este é apenas um exemplo do século passado, mas há vários outros mais recentes, que culminam agora no escândalo do Petrolão.
Em Franca, é preocupante o que ocorreu na semana que passou, quando a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, falou só o que quis na Câmara dos Vereadores, sem esclarecer as providências tomadas por sua pasta para resolver os graves problemas do setor, inclusive oito mortes suspeitas. Não foi interpelada por qualquer integrante daquela Casa de Leis e, no final, recebeu parabéns de Nirley de Souza (DEM) “pelo excelente trabalho”. O parlamentar deu uma mostra da irrealidade com que o Legislativo francano, com raras exceções, encara a administração de Alexandre Ferreira (PSDB). Uma prova de que ele não tem a mínima ideia do que acontece não apenas na Câmara mas também no município.
O que se pergunta a Nirley de Souza é: de onde ele tirou a constatação de que a condução da Saúde Pública em Franca merece elogios? Os fatos desmentem frontalmente a sua opinião. No período de um ano, oito mortes suspeitas relacionadas ao atendimento médico gerenciado pela Prefeitura foram registradas e são alvo de inquérito policial e investigação do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo). A “indústria das horas extras” motivou processo (ainda em curso) pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho), que exige a devolução do dinheiro pago a mais e ninguém sabe como a municipalidade vai agir. Faltam médicos e funcionários nas unidades de Saúde de Franca, entre UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e Prontos-socorros, obrigando os usuários a enfrentar longas filas para marcar consultas. E a Casa do Diabético, que já foi referência no Estado, hoje está quase parando.
Então, senhor Nirley de Souza, é isso que está bem e merece parabéns? Deve estar usando os mesmos óculos cor de rosa do prefeito, vendo uma situação dissociada da realidade. Está na hora do vereador e seus pares que comungam de sua opinião assumirem realmente as suas funções, que não se resumem a apenas criar homenagens e parabenizar quem não merece. Precisam sair às ruas, ouvir os seus eleitores e cobrar providências do Executivo Municipal. No caso aqui enfocado, Nirley deu um verdadeiro tapa na cara dos francanos. Está na hora de justificar os votos que recebeu e trabalhar em defesa daqueles que o elegeram. Do contrário, pode ter uma surpresa desagradável caso decida tentar a reeleição.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.