Imagine o que é ter um filho de 14 anos brutalmente agredido a pauladas por causa de um furto de galinhas sobre o qual, sequer, há provas de que ele tenha cometido. Depois da agressão, ver o filho sem os movimentos do corpo, com o futuro comprometido. O salgadeiro Thiago Gonçalves da Silva vive este drama e falou a respeito.
Como ficou sabendo das agressões?
Meu filho havia desaparecido há três dias. Populares me disseram que ele estava internado. Fui até a Santa Casa e o encontrei. Olhando para ele não era possível identificá-lo. Meu filho estava com a cabeça muito inchada, o estado era gravíssimo, estava quase morto. Vizinhos me disseram que ele foi agredido por quatro pessoas: o pai, filho, genro e mais uma pessoa. O pai e filho assumiram a bronca.
Por que o espancaram?
Furtaram galinhas no terreno deste homem. Eles ficaram nervosos e saíram à captura dos autores. Meu filho estava juntando latinhas e os autores do furto estavam por perto e correram. O Guilherme não sabia de nada e ficou parado. Foi quando pegaram ele, derrubaram e bateram com muita violência. Um dos agressores foi até um terreno próximo, pegou um pedaço de madeira e deu de 30 a 40 pancadas na cabeça dele. Um carro se aproximou e o motorista falou: “tira o corpo daqui e joga longe”. Eles saíram correndo e deixaram meu filho lá. Ele apanhou muito. Fui uma brutalidade imensa. Ficou com o corpo muito inchado e desfigurado.
O senhor acha que Guilherme foi pego por engano?
Bateram no meu filho para avisar os autores do furto do que eles seriam capazes de fazer. Ele estava no lugar errado, na hora errada. Pagou sem dever nada. Mesmo se devesse, não é uma atitude correta fazer o que fizeram com ele, seja rico, pobre, negro, branco, bandido ou inocente. Não se faz justiça com as próprias mãos. Deram 40 pauladas na cabeça de uma criança e, até agora, a Justiça não fez nada. Será que não tem nenhum promotor ou delegado que possa fazer alguma coisa? Se fizeram isto com um menino, o que não serão capazes de fazer com outra pessoa?
Como o seu filho ficou após as agressões?
Ele está em estado vegetativo. Não fala e perdeu todos os movimentos do corpo. A médica disse que ele tem um ano para ver se vai responder a alguma coisa. Do dia da agressão para cá, minha vida virou de cabeça para baixo. Nenhum dos agressores me procurou para ajudar. Queria que as autoridades tomassem uma atitude. Enquanto meu filho está preso em uma cama, os agressores estão soltos nas ruas. Espero que paguem pelo o que fizeram.
Como é ver o filho nesta situação?
Foi um baque muito grande. No dia em que me chamaram para reconhecer ele, eu falei: “não é possível. Este, não é meu filho”. A cabeça dele estava parecendo uma bola, de tão inchada. Dá vontade de fazer justiça com as próprias mãos, mas como sou homem de verdade, não faço isso. Peço que a justiça do homem seja feita.
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