No último dia 5 de fevereiro, uma semana antes do início dos festejos de Carnaval, o tradicional clube francano AEC Castelinho ganhou um novo presidente, o cartorário aposentado João Carlos Vilhena (65), para o biênio 2015/2016. Apesar de ter assumido o cargo pela primeira vez, João Carlos faz parte da diretoria do lugar há 35 anos e tem ainda mais tempo como sócio do clube. “Já passei por vários cargos na diretoria. Fui da diretoria de esportes, da tesouraria, fui vice-presidente, secretário. Mas frequento o clube há não sei quanto tempo, quase a vida inteira”, disse o novo chefe do Castelinho, que afirmou ainda sempre ter tido o sonho de presidir o lugar.
“É um sonho antigo que eu tinha. Vim pra cá pelas mãos do antigo presidente José Finarde, de quem fui vice-presidente, e de quem sou grande admirador. Vendo ele administrar, dizia ‘um dia quero me espelhar no Zé Finarde e tentar aprimorar mais ainda tudo que ele fez’. Aprendi muito com ele.”
João Carlos é casado, “e muito bem casado”, há 37 anos, tem duas filhas e três netos. Ele trabalhou por 46 anos como cartorário, em Franca e em Cristais Paulista. “Tenho que me dedicar 24 horas ao clube, estão sempre me ligando no celular. No fim de semana ficamos aqui (no clube) ou em casa, e a geladeira tem que estar sempre cheia de cerveja”.
A chapa Amigos do Castelinho, que era situação na disputa, venceu a eleição no dia 25 de janeiro, com 62,85% dos votos. A diretoria do Castelinho é composta por 15 pessoas voluntárias dentre diretores, tesoureiros, e secretários, além de 25 conselheiros e seis conselheiros fiscais. Outros 70 funcionários remunerados compõem a equipe do clube. Atualmente, o Castelinho possui cerca de 1.050 sócios patrimoniais e outros três mil contribuintes.
Usando bermuda e tênis, João Carlos Vilhena encontrou uma brecha na agenda cheia, em meios aos preparativos para o Carnaval do Castelinho, e concedeu a seguinte entrevista à reportagem do Comércio, na manhã da última quinta, 12.
Como é ser presidente do Castelinho?
Esse é um trabalho voluntário, assim como o de todos os diretores, mas temos um suporte muito bom e muito forte da estrutura que a gente montou no clube. Hoje cada setor tem um responsável. Então, teoricamente falando, não é difícil administrar o Castelinho. Ele está muito bem estruturado com o apoio dos funcionários que são remunerados. Fora isso, vem a parte financeira, mas hoje o clube está em uma situação estável, sem dívidas.
E como é a sua rotina como presidente do clube?
Tenho que me dedicar direto aqui. 24 horas por dia o pessoal me procura no celular. Mas não dá trabalho, não, e eu gosto de vir aqui. Passo nos quiosques, no futebol, ando pra todo lado. Sou aquele presidente que gosta de estar presente. Se você quiser fazer uma reclamação direto pra mim é fácil de me achar aqui no clube. E acho que tem que ser assim. O presidente tem que ter um tempo disponível para o associado. E a nossa diretoria também está sempre presente.
Quais são seus planos para os dois anos de mandato?
O clube hoje felizmente é um canteiro de obras. Pra todo lugar que você vai tem uma obra. Já reuni com a diretoria e disse pra concluirmos o que começamos primeiro, para depois darmos início ao meu programa. Quero cobrir as quadras, o que foi uma coisa que prometi. Também precisamos melhorar os estacionamentos, que hoje são um problema sério porque dez horas da manhã você não tem mais lugar pra estacionar. Ainda no programa, queremos construir mais quiosques, pois as pessoas pedem, e reformar as piscinas, trocar os pisos e o maquinário delas. Temos também uma ideia de fazer um deck em cima do vestiário para o pessoal tomar sol, porque não temos mais espaço pra ampliar a área da piscina.
Qual a renda e as despesas do Castelinho hoje?
O clube hoje movimenta, entre entrada e saída, uns R$ 800 mil por mês. Se a pessoa não tiver tempo pra conferir tudo, assinar tudo, apesar de termos uma equipe capacitada, não dá conta. Só de folha de pagamento temos mais de 70 funcionários, e no dia a dia tem uns 15 freelancers. É um trabalho que exige demais, que precisa de tempo pra vir no clube. Sem contar o monte de sócios. Hoje estamos lotados e tem uma lista grande de espera pra comprar título. Tem que esperar alguém cancelar se você quiser comprar um. Tanto para o patrimonial, que é o dono do clube, quanto para o contribuinte, que criamos para acertar as contas. Por volta de 2007, o clube estava quebrado e às moscas, então começamos a criar o contribuinte pra entrar dinheiro. Também, criamos o happy hour, e outras ações que dão ao clube hoje uma receita boa pra tocar tranqüilamente, sem preocupação. O clube tem também muita coisa hoje para não depender só da mensalidade. Temos parceria com a Ambeve, o que nos permite vender bebida barata. Temos o salão, que é alugado direto, e não tem data livre. E o restaurante também que está sempre alugado. Além da Unimed, que é o nosso grande parceiro e tem o espaço de fisioterapia aqui no clube.
Quais são as reivindicações dos associados?
O associado sempre tem reivindicação pra fazer. Algumas são inviáveis, que a gente não tem condições de fazer. Eles pedem pra voltarmos os bailes antigos. Outros querem música no restaurante. É pedido de tudo quanto é jeito. Pedem mais campo de futebol. Pedem pedalinho na represa, o que eu acho perigoso para as crianças ficarem sozinhas, então não devemos por. Outros pedem até pista de motocross. Um outro pedido foi a pista de skate, e isso vamos fazer. A molecada está pedindo muito. Também já pediram pra gente colocar aquele sistema de cartão no clube, que você coloca um crédito e depois consome no clube inteiro só com esse cartão. Mas não conseguimos pensar em um jeito de dar o troco no fim do dia sem juntar uma fila enorme, e a ficha funciona bem.
Qual foi sua primeira ação como presidente?
A primeira ação foi o Carnaval. Como eu já estava na diretoria, devagarzinho o Zé Antônio (presidente anterior) foi me empurrando a diretoria. Ele mandava as pessoas falarem comigo em vez de falar com ele, então não teve grandes mudanças. É uma continuidade. A primeira coisa foi pegar o Carnaval que já vínhamos organizando. E o time da diretoria é o mesmo, só coloquei um amigo na tesouraria.
Quais os principais problemas hoje do Castelinho?
Temos um problema sério com o loteamento que estão fazendo no fundo do clube. Nós arrumamos a pista de caminhada que sempre estraga quando chove porque o loteamento, que é particular e caro, foi asfaltado, mas não fizeram galeria. Então quando chove, a água entra no clube e estraga tudo. A água que vem de lá arranca toda a pista de caminhada quando chove e essa água não poderia entrar no clube. Já falamos com o prefeito (Alexandre Ferreira), e nada. Tivemos que recorrer ao Ministério Público pra ver se resolve. Quando precisaram, doamos mais de mil litros de água por dia pra Sabesp, e agora ninguém dá uma mão sobre esse caso pra nós. A represa também é outro problema porque ela precisa passar por um processo de limpeza que chama desassoreamento, que não temos o apoio de ninguém pra fazer, e precisamos de apoio. As terras e areias do loteamento, com a chuva, vêm entrando tudo na represa. Deve ter mais de um milhão de caminhões de areia na represa do clube hoje. A represa acabou diminuindo demais.
Há títulos do Castelinho hoje à venda?
Não. Não temos título à venda, porque o clube está no limite máximo. O estacionamento não dá e foi uma guerra pra pegar quiosque para o Carnaval. O povo chegou a dormir aqui na porte. E o clube está muito valorizado hoje. Os títulos patrimoniais que não valiam nada anos atrás, hoje valem uns R$ 3 mil.
Você criticava falta de transparência nas antigas gestões do Castelinho. Como pretende mudar esse cenário?
Sou bonzinho, mas sou exigente. O que falei na campanha, que foi exigência, transparência e honestidade, vou cumprir à risca. Nessa campanha foi transparente e não puderam falar nada de mim, e assim será nossa gestão. Montamos uma diretoria forte na parte fiscal, competente. Nosso contador também é muito bom. Já até publicamos um edital convocando os sócios para a assembléia do dia 22 de março, quando vamos apresentar todas as contas de 2013 e 2014, pra aprovação dos associados.
Uma novidade do clube é o Zoomix. Como funciona?
O Zoomix está pronto e tem muita atração, tem até bar. Você tem que ver a alegria das crianças que vão lá. Para o sócio foi um ganho a mais.
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