Buraco Negro


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O filme Interestelar, sucesso de público e entre cientistas, trouxe temas como aquecimento global, buraco de minhoca, buraco negro e singularidade. Em um momentos, a nave ‘Endurance’ dirige-se ao planeta Miller, próximo de um buraco negro e, por isso, o planeta enfrenta enorme dilatação gravitacional temporal — cada hora na superfície equivale a sete anos na Terra. Nave auxiliar é enviada e quando retorna, tinham se passado 23 anos. 
 
Julguei descobrir erro de roteiro. Dei-me conta que gravidade provoca dilatação do tempo quando analisei equações de um GPS. Nelas, a dilatação do tempo se dividia em duas partes, uma, devido à velocidade do satélite; e a outra, devido à massa da Terra. 
 
Buracos negros extrapolam o senso comum. Nasceu como fato curioso da teoria de Einstein, por Karl Schwarzschild em 1916. Estrela gigante, quando morre, põe fim a reações nucleares de fusão. A gravidade, então, esmaga a matéria. Após fase de gigante vermelha, ejeta a camada externa e deixa núcleo de carbono e oxigênio mil vezes mais luminoso que nosso sol. Chama-se Anã Branca. Em centenas de bilhões de anos, esfriará e se tornará Anã Negra. Anãs com massa superior a 1,5 a massa do sol têm gravidade tão forte que os elétrons dos elementos são esmagados no núcleo, originando nêutrons, e o resultado é estrela de nêutrons. Nos casos em que a massa desse núcleo ultrapassa três massas solares, a compressão não para e gera buraco negro. A matéria fica esmagada em um ponto com um campo gravitacional tão forte que nem luz consegue sair. Não passava de curiosidade matemática até que aconteceu a primeira evidência em 2008. 
 
O filme ignorou a radiação no entorno do buraco negro e atribuiu ao planeta a dilatação do tempo (quem estivesse na órbita também teria hora equivalente a sete anos da Terra), mas trouxe temas científicos importantes. 
 
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

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