Nem a alta do dólar, cuja valorização disparou no início deste ano, tem ajudado o setor calçadista de Franca, que amargou queda nas exportações de 17,32% em pares de sapato em janeiro deste ano, em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Quando observados os números da exportação em dólares, a queda é ainda maior: declínio de 21,24% no montante exportado - US$ 3,7 milhões no mês passado contra US$ 4,7 milhões em janeiro de 2014. Para o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), apesar do dólar alto, o calçado brasileiro tem perdido competitividade no mercado externo.
O valor da moeda norte-americana vem crescendo em disparada nos últimos meses. O dólar era cotado a R$ 2,57 no dia 1º de dezembro, começou o ano a R$ 2,69, chegou a R$ 2,71 no primeiro dia deste mês e, ontem, encerrou a semana cotado a R$ 2,83. Historicamente os francanos sabem que, quando o dinheiro estrangeiro está em alta, o calçado brasileiro acaba ganhando competitividade em outros países, por ser vendido com preços mais em conta.
Mas, essa matemática não tem funcionado em 2015 e a queda na exportação calçadista não foi registrada somente em Franca. No Estado de São Paulo, o declínio na exportação de sapato, em dólar, foi de 48,04% em janeiro deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. Já no Brasil, a queda registrada no mesmo comparativo foi de 22,24%.
“A queda nas exportações de calçados está diretamente ligada à alta carga tributária, à burocracia, aos juros altos e à inflação. Além disso, e principalmente, não há no Brasil uma política pública de incentivo à exportação no setor industrial. Não é apenas para o calçado. Ele faz parte de um contexto maior. Se você pegar a balança comercial brasileira, vai ver que está negativa. E vai piorar com o aumento dos custos da energia, que aumenta ainda mais o ‘custo Brasil’. Não sabemos se o câmbio que temos hoje, com o dólar cotado a R$ 2,83, cobre esse aumento e, ainda, se essa taxa do dólar é sustentável”, disse o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto.
Café
Ao contrário da indústria, a expectativa dos produtores de café com a alta do dólar é boa. Apesar de prejudicar a compra de insumos para a produção cafeeira, a alta da moeda americana é favorável para a exportação do café. “O preço do dólar não é determinante para o café, mas é preponderante. A alta traz uma preocupação aos produtores para a próxima safra, já que 90% dos insumos para a safra atual já foram comprados antes da subida. Dois produtos, fertilizantes e defensivos agrícolas, são importados, e o Brasil é um dos principais importadores de fertilizantes”, disse o engenheiro agrônomo Ricardo Lima, que é superintendente da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas), ponderando que o aumento nesse setor não é em sua totalidade. “Já a alta na saca final é beneficiada pela alta do dólar em sua totalidade, sim. O café é uma commodity agrícola, tem preço padrão formado em nível mundial em dólar. Então, a alta pode trazer mais competitividade para o café do Brasil”, completou.
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