A nuvem abençoa a cidade, espargindo garoa sobre as casas e sobre os homens.
Notívagos abandonam as ruas, enfurnam-se em tabernas, vão degustar a noite. Andarilhos buscam a porta da igreja Matriz, abrigando-se com trapos e jornais.
Cá do alto, cá de um décimo andar, observo a cena inusitada: o silêncio se banha na fonte luminosa, percorre, nu, todas as alamedas da Praça Barão e da Praça Nossa Senhora da Conceição.
Fecho a janela, recolho-me, durmo.
Também, abençoado.
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, autor de 23 livros
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