Em todas as palavras
Há um silêncio
Um não-lido,
Um não-escrito
Um não-gritado
Que aos poucos
A poesia extravasa
Em forma melódica
Às vezes tórrida.
Em todo gesto
Há um não-demonstrado
Um “tente adivinhar!”
Um “decifra-me ou te ignoro”
A beleza de certas coisas
Nasce do não dito
Do não expresso,
Que parece feio ou grosseiro.
Aí é que entra a poesia
Cantando o que nunca se diz
Melodiando o que jamais se explica
Revirando as vísceras das entrelinhas.
É isso o que me faz
Amar a poesia.
É isso o que me motiva
A não desistir dela:
Gritar as entrelinhas.
Ronaldo Silva, vendedor, universitário
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