Colocando a vida em risco


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A revelação de que o lutador de MMA Anderson Silva foi flagrado no exame antidoping por ter utilizado substâncias proibidas para aumentar o desempenho levanta mais uma vez a questão de até que ponto o ser humano se submete a medicamentos perigosos para alcançar êxito. Junte-se a isso a prisão de um dono de academia de Franca com medicamentos proibidos (os conhecidos anabolizantes e outros, para tentar reduzir os efeitos nocivos dos primeiros). E, também recentemente, as notícias que apontam para morte, desfiguração e sequelas deixadas por tratamentos inapropriados, feitos em locais sem assepsia e com produtos nocivos à saúde. A conclusão a que se chega é a de que nada disso vale a pena, pois o risco de morrer é muito grande.
 
Não é de hoje que médicos e especialistas apontam hábitos saudáveis — que passam pela alimentação e exercícios físicos (sem qualquer exagero) — para a manutenção da saúde do corpo. Por isso, não se entende esta busca desesperada pela perfeição, por músculos bem delineados, à custa de medicamentos que são notadamente nocivos. O caso de Anderson Silva é emblemático dessa situação. Considerado até há pouco como um atleta modelo, que participava de campanhas contra o uso de substâncias perigosas capazes de melhorar a performance, o lutador (cultuado no mundo todo ao se manter por quase uma década no topo do ranking do MMA) jogou por terra o próprio esforço para retomar a carreira depois de mais de um ano parado por causa de uma fratura.
 
Anderson Silva, menino pobre que conseguiu vencer no esporte, atirou ao lixo sua carreira e com isso frustrou a admiração de milhões de fãs no mundo todo. A partir do momento em que o seu esporte passou a realizar exames antidopings mais rigorosos, Anderson Silva não resistiu à primeira leva de testes: três deles, inclusive o realizado após a luta que marcava o seu retorno ao octógono, deram positivo para o uso de substância proibida. É lamentável que ainda hoje sejamos obrigados a acompanhar este tipo de notícia que coloca uma aura de suspeita sobre todas as modalidades esportivas. Que o atleta use tecnologia para melhorar o desempenho, nada contra. Mas apostar em substâncias danosas ao organismo é um verdadeiro crime, cometido inclusive contra quem está buscando o seu espaço no mundo esportivo.
 
Já quanto à apreensão de medicamentos em Franca, que estavam na posse de um dono de academia, o fato soa quase irônico, pois a uma academia as pessoas normalmente vão em busca de saúde. Os grandes e rápidos lucros, entretanto, pareceram tentadores; e os produtos eram cada vez mais negociados pelo celular e através de mensagens pelo WhatsApp. Com o acusado foram encontradas dezenas de caixas, ampolas e frascos de anabolizantes, além de 940 unidades de medicamento fabricado no Paraguai e usado para melhorar o desempenho sexual. O tamanho da apreensão leva a imaginar que há muita gente colocando a vida em risco. Enquanto houver quem considere este o melhor caminho, a venda dos produtos vai continuar. No momento, a boa notícia é que mais um negociante criminoso foi preso. O que se espera é que continue encarcerado por um longo tempo.
 
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