O problema continua


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O escritor e antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, insatisfeito com os rumos da massificação e ineficiência da educação em nosso país, em certa oportunidade e em tom de desabafo, declarou categoricamente que ‘A educação no Brasil não é uma crise e sim um projeto de permanência no poder!’ 
 
Disse, com a competência que lhe era peculiar que ‘povo deseducado e despreparado é mais fácil de ser conduzido, mais subserviente, reivindica menos’. Consequentemente, facilita projetos de poder de governantes inescrupulosos. Então, como frizei, é assim que ocorre. 
 
Este mês tivemos o retorno do ano escolar convivendo com uma realidade antiga, cruel e catastrófica: o Brasil é um dos piores países do mundo em educação. 
 
Se nessas últimas décadas experimentamos algum progresso em termos econômicos, possibilitando que nos classificássemos entre os chamados ‘países emergentes’, fato é que em termos educacionais continuamos competindo em desvantagem com nações do terceiro mundo.
 
As dificuldades são enormes. Professores despreparados e desmotivados, currículos escolares pouco interessantes, elevados índices de repetência, métodos ultrapassados de ensino, grande êxodo escolar, baixo investimento em educação etc., etc., etc.
 
O resultado desse desastre foi colhido no último Enem. Mais de 529 mil candidatos obtiveram nota zero em redação. O dado sintetiza que boa parte dos alunos em fase de ingresso na universidade não sabem escrever. Registre-se, finalmente, que os problemas educacionais começam antes mesmo da criança chegar à escola. Passa pela ausência de investimentos em saneamento básico e combate à desnutrição que é causa de deformação cerebral que dificulta o aprendizado. 
 
É preciso lembrar que nem sempre, comer, significa nutrir-se. Falta um projeto educacional profundo e não apenas medidas paliativas.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Facudade de Direito de Franca
 
 

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