Passividade inaceitável


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Quando, tempos atrás, chamamos os vereadores da Câmara Municipal de Franca de “vaquinhas de presépio”, houve quem ainda tentou contestar. Sempre de cabeça baixa, aceitando tudo o que parte do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) com uma passividade inaceitável para quem foi eleito para defender os interesses do cidadão francano, os vereadores deram anteontem, mais uma prova de sua imobilidade. Com grandes chances de exigir explicações da secretária da Saúde Rosane Moscardini sobre os problemas que envolvem a sua área — inclusive com oito mortes suspeitas —, fecharam a boca e a deixaram falar sem qualquer contestação por pouco menos de uma hora.
 
Nos 45 minutos em que participou da sessão da Câmara, a secretária falou o que quis e nada explicou. Foi um monólogo, onde os legisladores francanos se contentaram em acompanhar o discurso preparado de antemão. Ou seja, abriram mão de saber quanto foi gasto com o pagamento de supersalários aos médicos, se algum servidor foi punido por causa das oito mortes suspeitas ocorridas na rede e por que faltam especialistas e medicamentos na Casa do Diabético. Sem apresentar qualquer esclarecimento aos parentes de pacientes que tiveram as suas mortes relacionadas ao atendimento no sistema de saúde pública francano, que acompanhavam a sessão, Rosane Moscardini manteve o mesmo roteiro já traçado pelo prefeito Alexandre Ferreira quando é instado a falar sobre o mesmo assunto.
 
O pior de tudo: negou problemas no atendimento e disse que não falta medicamento na Casa do Diabético, como denunciado por pacientes atendidos pelo local. Nos últimos meses, inúmeros francanos têm reclamado, nos jornalísticos da Difusora, no Portal GCN e em redes sociais, da crônica demora no atendimento, com meses de espera por uma consulta e a falta de medicamentos que são distribuídos aos mais carentes, além de diversos outros problemas que têm enfrentado. E os vereadores ficaram calados. Apenas Luiz Vergara (PSB), autor do convite à secretária para comparecer à Câmara, fez perguntas que foram ignoradas ou respondidas de forma genérica, à maneira de Rolando Lero (personagem da antiga Escolinha do Professor Raimundo, da TV Globo, que nunca respondia coerentemente qualquer indagação).
 
No fim de tudo, resta a vergonha. A vergonha de toda uma cidade que esperava que os seus vereadores tivessem um mínimo de interesse em defender aqueles que os elegeram. Ao vereador cabe elaborar, discutir e votar leis, além de ser o órgão fiscalizador dos atos do Poder Executivo. Mas pelo que se tem visto nos últimos anos, não é o que acontece em Franca. Infelizmente, ainda temos dois anos para aturar um grupo de “vaquinhas de presépio” totalmente alheias aos problemas do município e seus moradores, cuja maioria paga os impostos que garantem os salários e os benefícios dos integrantes da Câmara de Vereadores. Ao que parece, a maioria não está nem aí para o bem estar dos eleitores, mas só defende seus próprios interesses.
 
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