Vereadores assistem calados a ‘pronunciamento’ de secretária


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A secretária de Saúde, Rosane Moscardini, e o vereador Luiz Vergara (PSB), que fez o convite
A secretária de Saúde, Rosane Moscardini, e o vereador Luiz Vergara (PSB), que fez o convite
Os vereadores de Franca perderam uma grande oportunidade, ontem, de cobrarem explicações sobre problemas enfrentados pela população que precisa de atendimento na rede municipal de saúde. A secretária Rosane Moscardini foi à Câmara e ficou à disposição dos parlamentares por uma hora. Nem ela imaginava que seria tão fácil. Falou o que quis e da maneira que achou melhor por 45 minutos. Em nenhum momento foi interrompida ou questionada. Os vereadores apenas assistiram ao pronunciamento. Com a passividade, abriram mão de saber quanto foi gasto com o pagamento de supersalários aos médicos, se algum servidor foi punido por causa das oito mortes suspeitas ocorridas na rede e por que faltam especialistas e medicamentos na Casa do Diabético.
 
Esperada às 10 horas, Rosane chegou à Câmara com uma hora de atraso. Estava escoltada por quase duas dezenas de servidores da saúde, a maioria comissionados, e também pelo procurador-jurídico da Prefeitura, Joviano Mendes da Silva. Poderia ter ido sozinha que não passaria aperto.
 
Autor do convite para que a secretária fosse à Câmara, Luiz Vergara (PSB) ajudou ao fazer dez perguntas sobre assuntos diversos de uma única vez. Nada melhor para quem quer fugir de polêmica e responder apenas o que interessa. Rosane pegou o microfone e falou sem parar por quase uma hora. Jépy Pereira (PSDB) deixou o plenário antes do pronunciamento e não mais voltou. Os demais vereadores ouviram calados. Parentes de duas vítimas estavam na plateia. Certamente, saíram com mais dúvidas do que chegaram.
 
Rosane não contou novidades e ficou à vontade para repetir discursos feitos anteriormente. Alegou que problemas estruturais e dificuldades financeiras para contratar pessoal, principalmente, médicos, são a causa da demora para entregar a UPA do Jardim Aeroporto, que já deveria ter sido inaugurada há dois anos. Informou que a rede municipal perdeu 62 médicos em um ano.
 
A secretária negou problemas no atendimento e disse que não falta medicamento na Casa do Diabético, como denunciado por pacientes atendidos pelo local. “Não tem ninguém sem atendimento. Contamos com o respaldo do AME para os pacientes.”
 
Sobre a indústria das horas extras, disse ter feito um levantamento dos profissionais que receberam além do permitido por lei e que entregou o relatório ao Ministério Público. “Quem superou o limite, está sendo discutido se devolverá o dinheiro ou se pagará em consultas.” Não citou números, muito menos valores.
 
Também foi vaga ao comentar as mortes suspeitas. “Exceto um caso, todas as sindicâncias foram concluídas e os casos remetidos à Justiça e ao CRM (Conselho Regional de Medicina). As penalidades administrativas foram feitas, mas por questão ética não podemos dizer o que foi feito, nem o nome dos envolvidos.”
 
Quando Rosane parou de falar, faltavam 11 minutos para o fim da sessão. Dos 14 vereadores inscritos, apenas Nirley de Souza (DEM) e Donizete da Farmácia (PSDB) tiveram tempo para fazer perguntas. Parabenizaram a secretária pelo trabalho que tem feito. “Infelizmente, foi uma decepção. A secretária cumpriu o script e falou o que quis. Ela não foi retrucada nem contestada em nenhum momento. Quando poderíamos fazer isso, acabou o tempo”, disse Márcio do Flórida (PT). O vereador afirmou que a secretária deverá ser convocada novamente para retornar à Câmara.
 
 

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