País do faz-de-conta


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Há muito tempo o brasileiro não vive baixo astral como o que o assalta hoje. O otimismo exagerado do povo desta nação foi substituído por decepção e incerteza. 
 
Gera manifestações que vão desde recusa a aumento do ônibus até desejo de derrubar o governo. Enfraquece o poder de autoridades e instituições, a economia se debilita e o crime se potencializa. 
 
A classe política, oportunisticamente, embebedou-se de democracia, mas se esqueceu de observar os pressupostos da própria democracia, e quem paga o pato é o povo. 
 
É preciso manter o país, a economia e instituições em pleno funcionamento, inclusive o ordenamento jurídico. 
 
Cidadãos, empresas e o governo têm de cumprir suas obrigações, mas isso não vem ocorrendo, e faz tempo. Alteram-se leis sob o  pretexto de aperfeiçoá-los, mas, na prática, tem-se acelerado a desconstrução da sociedade e causado a debilidade dos costumes. 
 
Os partidos políticos só pensam no poder. As ‘bolsas’, abonos e assemelhados entregues às minorias servem de sustentáculo ao poder. Enquanto isso, a propaganda diz maravilhas dos governos.
 
O cidadão comum sabe as dificuldades que enfrenta. Educação, saúde, trabalho, moradia e segurança não estão disponíveis para todos, especialmente nas emergências. A segurança pública está à deriva e é precária porque os governos, para parecerem ‘democráticos’ não permitem que suas polícias trabalhem adequadamente e nem cumprem suas obrigações com encarcerados, mantendo-os em estabelecimentos que não recuperam para a vida depois de terminada a pena. 
 
Tanto é que nestes ambientes surgiram organizações criminosas, no vácuo do Estado. 
 
Vivemos a democracia dos direitos sem deveres, da economia mágica, da corrupção endêmica e do Estado ineficiente e sem futuro. 
 
É preciso mudar. A massa está perdendo a paciência e o caos já está anunciado...
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
 
 

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