Um brasileiro que trabalhou 35 anos ininterruptos em sua vida, ganhando um salário médio de R$ 2 mil, corre o risco, ao se aposentar, de receber um benefício (?) menor do que o registrado em seu holerite, por causa do perverso fator previdenciário que ‘achata’ os proventos baseados na idade do aposentado e na expectativa de vida que a cada ano aumenta. Ou seja: mesmo tendo contribuído por 35 anos ou mais, quanto mais jovem se aposentar o trabalhador, mais reduzidos serão seus proventos.
Além disso, desde primeiro de janeiro passado nenhum trabalhador brasileiro recebe mais do que R$ 4.159,00 da Previdência Social, mesmo que a média de seus salários seja de R$ 10 mil ou R$ 20 mil. A maioria dos aposentados brasileiros, porém, têm benefício entre o salário mínimo (R$ 724,00) e R$ 1.500. Especialistas aconselham qualquer trabalhador brasileiro que receba salários acima do teto determinado pelo INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), que é de R$ 4,1 mil, a adquirir um plano de previdência complementar capaz de manter os seus ganhos com a aposentadoria. A mesma sugestão é feita até para quem recebe menos que o teto e tenha condições de poupar. O objetivo é se preparar para quando deixar o mercado de trabalho.
Por isso, causa grande espanto a aposentadoria do ex-presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, que assume agora a presidência da Petrobrás, que será calculada sobre vencimentos acima de R$ 60 mil reais. De acordo com as informações do BB, o benefício será calculado sobre os proventos brutos de Bendine, cujos salários não passavam de R$ 25 mil. Ele e mais 20 diretores da instituição têm esta prerrogativa, conforme resolução assinada por ele mesmo. É mais uma demonstração de que, em nosso País, permite-se tudo quando se trata do dinheiro público. E este dinheiro, que serve também à corrupção e para pagar benesses aos entes públicos, sai do bolso do trabalhador que não consegue sua aposentadoria com facilidade. Deve-se ressaltar que, agora, o atual presidente da Petrobras passará a acumular a aposentadoria com os proventos (salários e demais benefícios inerentes ao cargo) que receberá como presidente da petrolífera estatal. Ele tem apenas 52 anos; poucos brasileiros se aposentam com tão pouca idade sem que tenham os salários incrivelmente reduzidos. Não há, no âmbito do INSS, qualquer tipo de provento que garanta o cálculo pelo “salário cheio” (valores brutos, incluindo bônus e demais benefícios) como ocorre com Aldemir Bendine.
São as distorções deste País, onde governadores recebem aposentadorias milionárias após poucos anos de mandato, deputados e senadores também conseguem benefícios sem contribuir com a Previdência Social (e oficial) ou fazendo um plano de previdência complementar. Há que se buscar uma moralização em todos os sentidos, para que o suado dinheiro do trabalhador, coletado ano a ano pelo INSS, seja revertido em benefício destes mesmos brasileiros. Uma reforma política, fiscal e previdenciária, capaz de fazer justiça aos milhões de brasileiros, eleitores e contribuintes, é urgente, necessária e aguardada com ansiedade por todos.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.