Sem garantia de sucesso


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Que Aldemir Bendine fez um bom trabalho no Banco do Brasil não pode ser desconsiderado. Funcionário de carreira da instituição, onde começou ainda aos 14 anos como mensageiro, assumiu o BB que vivia uma situação delicada. Indicado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bendine conseguiu transformar o banco mais uma vez no maior do País em ativos, posto que havia perdido na ocasião. E mais: passou ao largo de toda a turbulência que atinge hoje o governo federal, em razão das denúncias que afetam o PT (Partido dos Trabalhadores) -- primeiro, o Mensalão, e agora, o Petrolão. Porém, o ex-presidente do BB assume após a renúncia de Graça Foster sob grande desconfiança do mercado e dos especialistas, principalmente por sua total inexperiência no setor petroleiro, que exige alguém com alguma “expertise”.
 
Por isso, no dia em que seu nome foi anunciado para dirigir a maior estatal brasileira, o mercado sofreu um baque, traduzido pelo tombo do Ibovespa (índice que mede o movimento diário da Bolsa de Valores de SP) e o comportamento do câmbio, quando o dólar extrapolou os R$ 2,70 e se mantinha neste patamar no dia seguinte (sexta-feira). O mercado, principalmente, esperava que a presidente Dilma Rousseff (PT) nomeasse alguém sem vínculo com o governo, vindo da iniciativa privada, capaz de profissionalizar a administração da Petrobras e tirá-la do enrosco causado pelo esquema fraudulento que transformou a estatal num ninho de abutres. Mas nenhum dos consultados aceitou este abacaxi, que caiu no colo de Bendine.
 
Mesmo não sendo filiado ao PT ou a qualquer outro partido político da base aliada do governo federal, o novo presidente da Petrobras tem fortes laços com a legenda da presidente e especialistas acreditam que só fará no comando da Petrobras o que o Planalto determinar. Por isso, mesmo que tenha tido competência para recolocar o Banco do Brasil nos eixos, acredita-se que ele poderá não conseguir o mesmo resultado com a Petrobras. A ingerência política que domina a administração da estatal, loteada entre os partidos que apoiam a presidente, principalmente o PT e o PMDB, é um obstáculo para recuperar não apenas o caixa da empresa mas também a confiança dos investidores.
 
As investigações da Lava Jato já deixaram claro que o escândalo da petroleira supera em várias vezes os desvios registrados pelo Mensalão. No período (quase una década de desvios e sobrepreço), a Petrobras perdeu quase 80% do seu valor de mercado. A recuperação, esperava o mercado, deveria passar por uma administração totalmente dissociada de partidos e governo. Almejava-se certa independência que Dilma não pretende conceder, em razão da escolha. Embora todo o País torça para que o novo presidente consiga expurgar da estatal todas as “laranjas podres”, não há qualquer garantia de que tal ocorrerá com Bendine. Oxalá estejam todos - mercado, analistas e especialistas - completamente errados, pelo bem da Petrobras e do País.
 
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