“Vamos tentando seguir em frente com a dor. Ele sempre foi uma pessoa mais fria, mas nunca foi violento. Ficou violento depois que eles terminaram, mas minha mãe nunca esperava que isso pudesse acontecer. Ela abriu o portão para ele inocentemente e ele acabou matando minha mãe.” O sofrimento relatado pela coladeira de
peças Dilmaine Moraes Brito, 23, filha da dona de casa Maria Cristina de Moraes Brito, 50, assassinada pelo ex-companheiro na última terça-feira, é vivido por outras duas famílias que tiveram parentes mortos por motivo passional nos últimos dois meses.
Maria Cristina foi morta no dia 2, pelo ex-companheiro na porta de sua casa, localizada no Jardim Portinari. Após matar Maria, o aposentado Fábio José Natal, 67, fugiu e tirou a própria vida. Depois de quatro anos morando juntos, a dona de casa resolveu terminar o relacionamento em novembro do ano passado e, desde então, ela vinha sendo ameaçada pelo aposentado. Mesmo com as intimidações de Fábio, familiares e amigos não imaginavam que ele as cumpriria. “Apesar das ameaças, nunca imaginaríamos que o Fábio chegaria às vias de fato. Eles tinham financiado um carro juntos no nome dela, que ficou com ele depois da separação. A prestação estava atrasada e o banco estava ligando. Então, ela ligou pra ele e ele disse que ia passar a dívida para uma irmã. No dia do crime, ela pediu pra eu ficar com o neto dela pra ir ao banco resolver o negócio do carro. Deixou ele aqui às 9 horas e, quando foi meio-dia, a filha me ligou dizendo que ela tinha morrido”, disse uma amiga de mais de 30 anos de Maria Cristina, que não quis ter o nome divulgado.
Dilmaine sofre ao contar que a mãe foi morta com um tiro no peito, provavelmente ao abrir o portão para o seu assassino. “Ela não teve chance de reagir, de correr, nada... Ela já tinha registrado dois boletins de ocorrência contra ele e ninguém fez nada. Talvez essa tragédia pudesse ser evitada.”
Policial em formação
O caso de Maria Cristina e Fábio não foi o primeiro crime passional ocorrido em Franca neste início de 2015. A policial militar Marcela Maria de Oliveira, 31 anos, foi morta no dia 25 de janeiro pela ex-companheira, a vigilante Elaine Cristina da Silva, 39, que também tentou suicídio após cometer o crime, mas acabou sobrevivendo e está presa. O assassinato ocorreu no Jardim Paineiras e teria sido motivado após Elaine flagrar Marcela com outra pessoa.
Pai mata filho
Outro crime que chocou a região aconteceu há menos de dois meses e deixou a pequena Buritizal perplexa. O aposentado Mauro de Oliveira, 83, que era viúvo, matou o próprio filho Sílvio de Oliveira, 58, que era solteiro. Ambos foram encontrados mortos no banheiro da casa onde moravam, no Centro daquela cidade. Segundo a polícia, tudo indica que o pai matou o filho usando uma faca e se suicidou com a mesma arma branca. De acordo com testemunhas, era comum o desentendimento entre os dois.
Sem prevenção
Para o delegado integrante da Seccional de Polícia de Franca Daniel Radaelli, a violência doméstica tem aumentado em Franca. “Pelo menos no começo deste ano, deu para sentir que esse tipo de crime cresceu. Não tenho uma avaliação, mas dá para afirmar que a violência doméstica é um dos principais motivos que acarretam esses crimes sim.”
Radaelli afirma ainda que, apesar de recursos como medidas judiciais protetivas ou a Casa da Mulher Vitimizada - inaugurada no ano passado para abrigar mulheres vítimas de violência doméstica - existente em Franca, o passional é um tipo de crime difícil de evitar.
“A casa para a mulher vítima de violência, que foi bandeira minha como vereador, é um instrumento para evitar essas ocorrências, mas quando uma pessoa quer matar é difícil de segurar. É uma ação de uma pessoa contra uma outra específica. Eu posso estar conversando com você aqui e de repente eu arranco uma arma e te meto bala.”
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