É difícil ser honesto?


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Quando o principal delator do esquema de fraudes e pagamento de propinas que funcionava na Petrobras, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, disse em audiência no Congresso que desvios ocorriam onde houvesse obra pública no País, houve uma reação geral. Administradores públicos externaram a sua indignação e políticos passaram a defender seus partidos, mas agora vê-se que ele pode ter razão. Pelo menos no que se refere a Franca, onde os desvios legais e administrativos passam bem longe da responsabilidade que se exige dos entes públicos, eleitos para gerirem com retidão o dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos.
 
Um áudio conseguido com exclusividade pela repórter Juliana Pereira, deste Comércio (confira reportagem completa nesta edição) deixa claro que as obras de quatro creches-escolas em Franca são alvo de nova polêmica envolvendo a Prefeitura, passando por fraudes e desvios de materiais. Segundo a gravação, já requisitada pelo Ministério Público, um grupo de subempreiteiros, que não recebeu da empresa FFC Engenharia e Construções Eireli, contratada pela Prefeitura, denuncia um mega esquema de furto e fraude na Secretaria de Planejamento Urbano, dirigida por Nicola Rossano.
 
No áudio, um empreiteiro negocia equipamentos e produtos que estão nas obras das creches, para saldar a dívida com um dos subempreiteiros. Grande parte do material pertence à Prefeitura. Durante toda a gravação, que tem em torno de 53 minutos, o empreiteiro garante que o esquema é conhecido por engenheiros da Prefeitura. Além das denúncias de furtos nas creches que ficam no Jardim Luiza, Palermo City, Quinta do Café e Guanabara, os subempreiteiros afirmaram que as medições do andamento das obras também foram fraudadas.
 
A denúncia foi levada ao ar pela Difusora no programa Hora da Verdade Itinerante de ontem. Os vereadores Marco Garcia (PPS, que também preside o legislativo local) e Márcio do Flórida (PT), convidados do programa, ficaram estarrecidos com o conteúdo das acusações. Márcio garantiu que deve convocar o secretário Nicola Rossano para prestar esclarecimentos na Câmara. Trata-se de uma questão que, mais uma vez, coloca a administração de Alexandre Ferreira (PSDB) na berlinda, somando-se aos inúmeros outros que se acumularam nos últimos dois anos.
 
Nada demonstra que o prefeito teria conhecimento de mais esta ilegalidade. Mesmo assim, ele não pode ser eximido de responsabilidade, pois como chefe do Executivo deve cobrar de seus colaboradores retidão moral e legal, principalmente quando se trata do patrimônio público. Porém, como o próprio prefeito não aplica o mesmo propósito em suas ações, permite este tipo de irregularidade. Afinal, se o chefe faz, permite aos seus subalternos a mesma atitude. A esperança é que desta vez o Ministério Público coloque um ponto final nas ações ilegais — e imorais — desta administração, penalizando os responsáveis por mais uma vez sangrar os cofres públicos, abastecidos com o dinheiro de nossos impostos.
 
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