Gravação reforça suspeitas de fraude em obras da Prefeitura


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Após rescindir contrata com construtora por atraso nas obras, Prefeitura interditou as construções
Após rescindir contrata com construtora por atraso nas obras, Prefeitura interditou as construções
Conversas telefônicas (ouça a gravação completa aqui) entre o responsável por uma empreiteira terceirizada e empreiteiros “quarteirizados” reforçam a suspeita de fraudes na construção de quatro creches, que estão sendo erguidas pela Prefeitura nos bairros Jardim Luiza, Palermo City, Quinta do Café e Jardim Guanabara. O Comércio da Franca teve acesso com exclusividade às gravações dos telefonemas, cujos conteúdos mostram o responsável orientando os quarteirizados a pegarem materiais e equipamentos das obras como forma de pagamento. Na conversa, o representante da empreiteira terceirizada afirma ainda que a ganhadora da licitação para construção das creches recebeu pagamentos da Prefeitura sem ter executado serviços, com o apoio de laudos de engenheiros da Secretaria de Planejamento Urbano. As conversas foram reveladas ontem durante o programa Hora da Verdade Itinerante, da rádio Difusora, transmitido do Jardim Tropical.
 
As quatro creches começaram a ser erguidas no final de 2013 pela ganhadora da licitação, a empresa FFC Engenharia e Construções Eireli. A previsão inicial era que as obras custariam R$ 6,3 milhões e iriam terminar há seis meses. Em dezembro do ano passado, já em atraso, a FFC repassou indevidamente as obras para uma outra empresa, o Grupo J - cujos representantes são Jonatas Roberto Fonseca e Mauro Pimentel de Lima -, que “quarteirizou” o serviço e contratou empreiteiros para executarem as construções. No mês passado, a FFC deixou de pagar o Grupo J, que acabou contraindo dívidas com os empreiteiros.
 
A gravação telefônica obtida pelo Comércio mostra justamente o representante Mauro orientando os quarteirizados a pegarem materiais das obras, como pastilhas de azulejo, fiação e até um portão, além de equipamentos da FFC, como betoneiras e andaimes, como forma de pagamento. “Se custa R$ 30 (pastilhas de azulejo), vamos vender por R$ 15, metade do preço (...) Se a polícia chegar e você separar o andaime, o que você faz? Você vai falar pro pessoal: ‘Isso aqui eu estou tirando porque é meu. O andaime é meu, que eu trouxe pra trabalhar. Essa betoneira é minha, eu que trouxe pra trabalhar’.”
 
Mauro Pimentel de Lima comenta ainda em conversa telefônica que a suposta fraude só é possível devido a falhas na vistoria feita pelos fiscais da Secretaria de Planejamento Urbano e ausência de fiscalização por parte do titular da pasta, Nicola Rossano. “Ele (Nicola) não sabe mesmo não, quem pagou foram os engenheiros dele. Foram eles que fizeram a medição lá atrás. Eles assinavam e nem iam na obra conferir”, disse. 
 
Na última semana, o Ministério Público abriu inquérito para investigar as possíveis irregularidades na construção das quatro creches e solicitou o bloqueio dos bens da FFC, de dois engenheiros da Prefeitura, responsáveis pela vistoria nas obras e cujos nomes não foram informados, e de Jonatas e Mauro. O promotor de Justiça, Paulo Borges, que apura o caso, disse que o município de Franca pagou mais de R$ 565 mil indevidamente à FFC. Ele afirmou que irá incluir as gravações telefônicas nas investigações.
 
Sem respostas
O secretário municipal de Planejamento Urbano, Nicola Rossano, foi procurado pela reportagem, nos telefones da Secretaria e em seu celular, para comentar as possíveis fraudes nas obras das quatro creches, mas não foi encontrado. Rossano, assim como a assessoria de imprensa da Prefeitura, também foram questionados por e-mail, mas não responderam as mensagens até o fechamento desta edição.
 
A reportagem ligou ainda nos celulares de Jonatas Roberto Fonseca e Mauro Pimentel de Lima, do Grupo J, e de José Eduardo, que seria o representante da FFC, cujos números de telefone foram informados pelos empreiteiros, mas nenhum dos três atendeu as ligações.

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