Ao que parece, chegamos ao fundo do poço. Pior ainda: o fundo do poço está seco. Não há água. As torneiras expelem ar. As gargantas estão secas. Os corpos fedem. O lixo acumula-se. O povo desespera-se. Todo mundo quer água, mais água. E a água não vem e a sede aumenta. Um ator paulistano, interpretando Shakespeare, grita num palco, ao invés de “meu reino por um cavalo”:
— Água, mais água. Meu reino por um caminhão pipa!
Ainda bem que esta falta d’água danada é lá em São Paulo, na capital mais famosa, mais populosa e mais rica do país. Aqui em Franca a realidade é outra. Sentimo-nos como peixinhos no aquário. Afinal, aqui nós temos o Rui e o Rui, previdente, já foi buscar as águas do Sapucaí. Por conseguinte, o Rui, que é Kaluz, aqui em Franca dá água. E assim, a SABESP continua com o seu mais elevado conceito e credibilidade. Mas, na capital e adjacências, a SABESP está também no fundo do poço, junto com o “Gerardão da Cantareira”.
Se, por um lado, a falta d’água é para nós, francanos de nascimento ou de coração, uma longínqua ameaça, do “apagão” não escaparemos. Do “apaguinho” já estamos acostumados. Porém, o apagão virá com certeza. O apagão é federal e, por ser federal, atingirá todos os Estados federados e seus cidadãos. Um mal geral é sempre federal enquanto que um mal estadual é mais circunscrito. Porém, todos esses males vêm de Minas ( será uma vingança do Aécio? ). Não chove em Minas. As represas estão vazias. Cadê o mar de Minas? Adamastor bebeu?
O fato, prezado leitor, é que “estamos no sal”. Enquanto isto, eles estão tirando barris e mais barris do pré-sal. Porém, não são barris de água. São de óleo. E isso adianta alguma coisa? Eles precisam é tirar-nos do sal, do fundo do poço, das trevas.
O nosso fardo não é “levy”. É pesado e bem pesado principalmente agora que um tal de Joaquim quer consertar os erros da Dilma às custas do povo brasileiro.
É , prezado leitor, estamos mesmo no fundo do poço. Mas, para falar a verdade, será que algum dia chegamos a sair dele?
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
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