Franca não tinha teatro decente, mas grandes artistas, por iniciativa de Wanira Salles que respondia pelas ações culturais do município, chegavam a Franca. Glória Menezes e Tarcísio Meira enfrentaram a longa distância entre o Rio de Janeiro e a Capital do Calçado Masculino, encararam o caminho e se apresentaram para grande público francano durante duas noites. Na falta, também, de restaurante discreto onde pudessem ficar longe da aglomeração, Wanira pediu que fosse feito lanche para eles tomarem após os espetáculos. Assim, numa rua quase sem movimento do Jardim Consolação, já passava das onze e meia, o casal de artistas chegou também acompanhado pelo agente e camareira para rápida e frugal refeição, que eles tinham que descansar, que teriam outro espetáculo no dia seguinte, que queriam conhecer a cidade. Passava das quatro da manhã quando eles deixaram a casa. Tarcísio e o anfitrião quase não falaram: talvez pela prolixidade de Glória e a anfitriã, que tinham mais em comum que se poderia supor. Elas ainda se falam, contam casos, acompanham o crescimento e os acontecimentos de suas respectivas famílias. Vivem em mundos diferentes. Têm em comum a alegria e o amor por filhos e netos.
(Lúcia H. M. Brigagão)
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