Só vale para os outros


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Não é de hoje que os francanos sabem que Alexandre Ferreira (PSDB) foi a pior opção para comandar os destinos da cidade. Uma série de fatos, desde que ele tomou posse há pouco mais de dois anos, jogou por terra as esperanças depositadas nas urnas. E o prefeito só conseguiu se eleger graças aos esforços do ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB), o qual garantiu que o pupilo estava “preparado”, levando os eleitores a confiarem em sua afirmativa. Hoje, ainda na metade do mandato, o chefe do Executivo francano coleciona trapalhadas e irregularidades que o colocam como sério candidato à pior administração em toda a história de Franca. Se mantiver as diretrizes que traçou para sua administração, conseguirá o feito sem qualquer esforço.
 
Agora, num súbito rompante de bastião da legalidade, Alexandre Ferreira provoca o fechamento de duas creches localizadas em bairros carentes da cidade, deixando os pais de dezenas de crianças sem qualquer condição de trabalhar, pois não têm onde deixar os filhos. Ontem, os funcionários dessas creches conveniadas com a Prefeitura (localizadas no Jardim Luiza I e no City Petrópolis) cruzaram os braços. Segundo a administração, o repasse de verba para pagamento dos salários foi suspenso em razão de um processo administrativo na Divisão de Auditoria Interna e Procuradoria Jurídica da Prefeitura. A alegação é que há irregularidades nas contas da Adhem Provale (Associação de Desenvolvimento Humano em Prol do Vale do Jequitinhonha), que mantém as creches.
 
Hoje, as creches devem voltar a funcionar, mas a Prefeitura precisa explicar o que está acontecendo. O que é inadmissível é prejudicar trabalhadores que dependem das instituições para desempenhar suas funções. Ainda que alegando questionável ilegalidade, a Prefeitura — mesmo estando certa — deveria ter buscado uma solução que não prejudicasse centenas de pessoas, inclusive os funcionários, e principalmente quando se trata de um governo onde ilegalidades e deslizes são cometidos aos borbotões. Antes mesmo de brandir a letra da lei -- e a ilegalidade não foi convenientemente explicada --, Alexandre Ferreira e seus assessores precisam esclarecer a razão de não agir da mesma forma quando o assunto compete a eles mesmos.
 
Não se pode esquecer o acordo fechado com a Empresa São José, a portas fechadas e em prejuízo de milhares de francanos. Outro fato ainda não esclarecido é a indústria das horas extras que funcionou na Secretaria da Saúde, alvo de processo na Justiça do Trabalho. E muito menos os gastos com publicidade paga com verbas do governo federal que deveriam ir para a Saúde e para a Educação. Some-se a tudo isso, mais recentemente a exigência de que entidades assistenciais (como Apae e Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec”) façam publicidade das verbas recebidas. Isto é apenas a ponta de um iceberg de impropriedades que movem a administração de Alexandre Ferreira. O ente público deve, sim, exigir que seus conveniados se atenham à legalidade. Mas precisa, ele próprio, também se ater à letra legal, para dar o exemplo. E isso não vem acontecendo no município de Franca.
 
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