Mais do que o esperado


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Como se havia previsto ainda no final do ano passado, o brasileiro começa 2015 arcando com o descontrole fiscal do governo federal. O reajuste nos preços dos combustíveis (que deveria atingir apenas gasolina e diesel, mas que também incidiu sobre o etanol) já causou um aumento nos preços de tudo: alimentação, serviços e bens, o que deverá provocar um impacto ainda maior no índice inflacionário dos próximos meses. Este movimento já era esperado e deve se ampliar ainda mais, quando sair o reajuste nas tarifas de energia elétrica, que já estão mais caras desde o início do ano e podem subir cerca de 50% nos próximos meses, causando um impacto ainda maior nas contas do trabalhador brasileiro.
 
As medidas de ajuste fiscal, que atingem inapelavelmente a concessão de benefícios trabalhistas — que as Centrais Sindicais tentarão reverter através de pressão em torno do Congresso Nacional —, já tornam a vida dos trabalhadores brasileiros mais difíceis. Porém, os aumentos, diante de uma situação instável da produção e do emprego, trazem maior arrocho para quem trabalha e produz. A situação deverá ficar ainda mais difícil diante de novos estudos que a equipe econômica vem fazendo e deve anunciar em breve. E elas passam por novos aumentos de impostos e pela principal ‘vitrine’ do governo que se diz trabalhador e que, na campanha eleitoral, usou como munição contra os adversários: os benefícios sociais.
 
Na busca de maior espaço para o corte das despesas do Orçamento deste ano, a equipe econômica fará um pente-fino em todos os programas governamentais. A análise vai atingir também os programas sociais e de investimentos da presidente Dilma Rousseff. Como resultado desse esforço concentrado para melhorar a eficiência dos gastos e ajudar no cumprimento da meta fiscal, alguns programas dos ministérios poderão sofrer cortes. 
 
O ‘check-up’ dos programas amplia, na prática, o controle da equipe econômica sobre os projetos tocados em toda a Esplanada dos Ministérios. O mapeamento será feito pelo grupo de trabalho de gastos públicos, criado pelo governo para ajudar no reequilíbrio fiscal. A necessidade de maior controle dos programas ganha força diante do cenário de dificuldade do governo para cumprir a meta fiscal com o risco de recessão e as crises de abastecimento de água e energia. 
 
Ou seja, o remédio amargo que vinha sendo prescrito por especialistas para que o Brasil retomasse a meta de crescimento está sendo ministrado em doses cavalares em nossa economia, mas até agora o esforço está sendo exigido de quem trabalha e produz. Mais para frente deve afetar também os programas e serviços do governo, mas sem qualquer garantia de sucesso enquanto não houver parcimônia maior nos gastos correntes da administração pública. Isso teria forçosamente que passar por salários e benefícios concedidos a entes públicos, de forma que não apenas o grosso da população arque com o ônus do ajuste. Mais uma vez, reafirmamos a necessidade de que a conta seja cobrada de todos, o que seria muito mais justo.
 
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