Perspectivas


| Tempo de leitura: 2 min
Decorrido um mês do novo governo é importante pensar sobre o que nos aguarda em termos econômicos nos restantes 11 meses do ano. Logo de cara, o Ministro da Fazenda anunciou medidas que, segundo ele, serviriam para restabelecer confiança na economia e fechar contas públicas em condições normais. A cesta que, segundo ele, não é de ‘maldades’, traz aumento de impostos para consumidores e empresas dos setores de combustíveis, cosméticos e importadoras. Elevar a arrecadação federal em R$ 20,6 bilhões é a meta. Ele não disse uma palavra sobre cortar despesas públicas.
 
O IPI será maior para os cosméticos. Nos importados haverá maior incidência do PIS/Cofins. No crédito para as pessoas físicas, o IOF terá alíquota dobrada, de 1,5% para 3%. E houve a volta da Cide. No último domingo, já estava presente nos postos de combustíveis. 
 
A eletricidade deve aumentar cerca de 40%. O governo já havia enviado ao Congresso as MPs 664 e 665, que estabelecem mudanças no seguro desemprego, abono salarial, auxílio-doença e pensão por morte. A esse conjunto soma-se a crise hídrica, que ameaça afetar o suprimento de energia elétrica. O problema ficou claro (sem trocadilho) no apagão de 19 de janeiro, atingindo vários setores na capital e cerca de 640 mil pessoas no interior do Estado. 
 
O ajuste anunciado pelo governo é duro e bate em economia prostrada: o crescimento em 2014 esteve perto de zero; o déficit nas contas públicas foi histórico e o emprego não mostrou incremento porque a indústria tem, gradativamente, perdido espaço. Ainda assim, propor retomada da confiança na economia é objetivo louvável. Torcemos para que ocorra mas é preciso ponderar sobre aspectos igualmente importantes: a elevação dos preços em decorrência da tributação fará a demanda diminuir. Com pouca demanda, como fazer a economia crescer? E a inflação, e o emprego? É. Em 2015, o mar não estará para peixe. 
 
Vicente P. Oliveira
Economista - FEA/USP

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários