A respeito de Gazetilha deste Comércio sobre ‘rolezinhos’, publicada em 25 de janeiro de 2015, página A3 (leia em http://gcn.net.br/noticia/276616/opiniao/2015/01/rolezinho-infernal), pontuo que sou garota que viveu a adolescência em Franca, e, assim como todos os jovens da minha época, os passeios no shopping também eram para paquerar, encontrar os amigos e fazer novas amizades. Não se chamava ‘rolezinho’, mas era a mesma coisa.
Eu, menina da classe média, também via brigas no shopping, inclusive na porta da escola particular em que estudava. O que mudou hoje? A verdade é que os ‘rolezinhos’ sempre existiram — assim como o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), desde 1990 — e constitue forma de sociabilidade de jovens, necessário nessa fase da vida. Qualquer um que estude desenvolvimento humano dirá que interação social, busca por identidades grupais e de autonomia ocorrem na adolescência.
Qual a novidade (hoje)? São as paredes ‘invisíveis’ da desigualdade social, que a cada vez mais se bipolariza entre as ‘pessoas de bem’ e os ‘marginais’. O problema é que, para o desencanto de muita gente, hoje já não se divide tanto periferia e centro. Jovem pobre no shopping ameaça a classe média (ou se preferir, ‘pessoas ‘de bem’).
Ao contrario do que traz o imaginário social, os adolescentes não têm ‘licença para delinquir’, pois qualquer um que tenha se dado ao trabalho de ler o ECA antes de falar sobre ele, sabe que na referida lei apresentam-se medidas socioeducativas, como forma de responsabilizar os adolescentes, de ofertar maior acesso à educação, aos bens sociais, e porque não, ao lazer, ao shopping.
Não precisamos de endurecimento de penas. Por dados de outros países, não resolve o problema social, que é mais complexo. Estamos falando, antes, de desigualdade social.
Aline Cristina de Morais
Graduada e mestre em Terapia Ocupacional — UFSCar
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