Domingo passado quem foi ao Pedrocão ou assistiu pela televisão a ordenação episcopal do padre, agora, bispo, Devair, perceber a força dos gestos, do simbólico. Muito significativo o momento em que a ‘palavra de Deus’ — a Bíblia — foi erguida sobre a cabeça dele.
O ato demonstrou que o padre/bispo ‘não está acima da palavra de Deus’. Todos os dons e serviços que o futuro bispo deveria realizar, estariam sob a vontade de Deus.
Ele também deveria se lembrar que acima de tudo existe um Deus que se manifesta por sua palavra, e que esta palavra deveria nortear todos os seus passos.
Parece mero teatro, mas não é! O ser humano é movido também por paixões. Ser ordenado bispo dentre todos os padres existentes, revela escolha especial e pessoal. O padre Devair tem dons (características) pessoais que justificaram nomeação, e, o ato revelou essa escolha, mas também, a responsabilidade que sobre ele, se depositava
Deverá continuar realizando a vontade de Deus se recordando que, acima dele estará, sempre, Deus, que, através dele, fará cumprir sua vontade.
Realizar essa vocação exigirá sabedoria e humildade do bispo Devair. Exigirá que tenha sempre em sua mente, coração e espírito, o mando sagrado de Deus, especialmente nos momentos em que sua autoridade eclesial for questionada. Deverá impor-se com a força da oração, do jejum, da doutrina social da igreja.
Por fim, o gesto faz refletir sobre nossa sociedade contemporânea. Acreditamos ser superiores a tudo, às leis, às instituições, às pessoas.
O que importa é a realização de nossos desejo, ainda que tenhamos de subverter e corromper a nós e os outros.
Com a ordenação episcopal podemos relembrar a existência do divino, do poder superior, e que podemos muitas coisas, mas não tudo. Devemos elevar e manter acima de nossos valores individuais os valores morais, éticos, humanos relacionados à coletividade.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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