Grandes regiões do País vivem, hoje, uma chamada crise hídrica que pode levar ao racionamento e corte de água, para a preservação e recomposição dos mananciais. A falta de chuvas ao longo do ano passado se reflete ainda hoje, principalmente no Estado e seus pontos mais populosos, como a Região Metropolitana de São Paulo e Campinas, dois grandes polos econômicos que já estão sendo prejudicadas pela situação que compromete o fornecimento de água e, consequentemente, energia elétrica. As chuvas deste início de ano ainda não foram suficientes para recompor os reservatórios. Porém, caso não houvesse um grande desperdício da água, principalmente nos grandes centros, o risco de desabastecimento ainda estaria longe.
Em meio a esta grave crise no Brasil, um relatório do governo federal mostra que 37% da água tratada para consumo é perdida antes de chegar às torneiras da população. Essa água potável é desperdiçada principalmente devido às falhas das tubulações. Além disso, também há perdas com fraudes e ligações clandestinas no caminho. Os dados de dezembro de 2013 foram incluídos no Sistema Nacional de Informações de Saneamento Básico do Ministério das Cidades. No levantamento anterior, referente a 2012, as perdas de água no País estavam em 36,9%. Isso significa que não houve nenhuma melhoria, durante um ano, no que é considerado por especialistas como uma das principais ações contra a escassez hídrica.
O volume de água perdida somente na Grande São Paulo — considerando a captação em todas as represas — é semelhante à produção atual do sistema Cantareira, que abastece 6,5 milhões de moradores e está hoje perto de 6% de sua capacidade. No Estado de São Paulo, as perdas no final de 2013 estavam 34%, segundo levantamento do ministério. Na região metropolitana, a taxa é próxima de 30% — e a Sabesp tem a meta de 26% em 2020. Os problemas nas tubulações, muitas delas com várias décadas de utilização, com danos provocados pelo tempo, só podem ser resolvidos com a intervenção do Poder Público.
Hoje, não há quem se disponha em trabalhar na substituição das redes mais antigas. A troca acontece apenas quando há um rompimento grave e a água desperdiçada rompe o solo e escorre pelas ruas. Do contrário, nada é feito. Parte destas tubulações já não suporta mais o volume distribuído, o que leva a vazamentos constantes e muito deles escoam pelas galerias de esgoto e águas pluviais. Ou seja, são quase ‘invisíveis’. Não se pode cobrar apenas dos consumidores para que poupem água e energia. Os governos federal e estaduais também precisam fazer a sua parte, investindo fortemente na troca da rede de distribuição mais antiga. Se não houver a contenção destes desperdícios subterrâneos, combatendo-se também os desvios indevidos, a situação ficará ainda mais difícil para todos nós. Todos os que estão sendo afetados pela atual crise hídrica torcem para que o cenário atual sirva apenas como um alerta e não se perpetue. Do contrário, a falta de água pode piorar ainda mais, trazendo consequências inimagináveis.
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