Promessas e solidão


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Reivindicantes saem às ruas, acompanhados de desordeiros, a exigir transporte gratuito. Sindicalistas fazem passeatas e ameaçam greve geral se o governo não voltar atrás nas mudanças que introduziu no seguro-desemprego, pensão por morte e outros direitos trabalhistas. O MP e a justiça descobrem falcatruas que lançam no lixo a reputação e a estabilidade da Petrobras, orgulho nacional e uma das maiores petrolíferas do mundo construída com dinheiro do povo. 
 
Infelizmente, sob pretexto de redemocratização, maus políticos desmontaram o Estado e a sociedade. Optaram por colocar tudo no chão. Grupos radicais arrepiam as leis sob o pretexto de obter reforma agrária, habitação, transporte e outros supostos direitos. Em vez de buscar a mudança por vias legais, o fazem pela desobediência civil e encontram no seio do próprio governo quem os defenda.
 
Vivemos democracia onde valores sociais e humanos são só retórica. Minorias clamam por direitos sem deveres. No Brasil de hoje, exercitar poder é um insólito balcão de negócios de oferecimento de cargos a aloprados em troca de apoio político e legislativo. 
 
Ao final de quatro anos de política econômica temerária que trouxe de volta a inflação e comprometeu a atividade produtiva, a presidente Dilma Rousseff rendeu-se ao canto fácil do marketing político e, apesar de tudo conseguiu se reeleger. No cargo, voltou atrás de suas promessas e passou a reduzir direitos dos trabalhadores. O povo confiou nela e ela deveria devolver essa confiança, mas tem feito o contrário: é nos ministros da área econômica que tem se escorado escora; exatamente nesses que defendem arrocho e fome, que não pediram votos e nem prometeram nada.Quanto maior é o cargo, mais solitário torna-se o seu ocupante. A presidente vive hoje um dos momentos mais críticos de sua vida. Oxalá encontre equilíbrio, discernimento e a necessária humildade para atravessá-lo... 
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista

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