Neste domingo, a Palavra de Deus ensina sobre vocação. Fala da vocação de Jesus como profeta que anunciou o Reino de Deus. As leituras sagradas reservadas para hoje são Deuteronômio 18 (Primeira Leitura), 1ª Corintios 7 (Segunda Leitura) e Marcos 1 (Evangelho).
Primeira Leitura — Deuteronômio 18: Moisés descreve características do profeta: não é um ser caído do céu, é humano, irmão daqueles aos quais está sendo enviado diretamente por Deus. A ele são comunicados o pensamento e os planos do Senhor para que transmita com fidelidade, sem nada acrescentar ou tirar.
Hoje, como ontem, os homens sentem a necessidade de vaguear para além dos limites humanos e sondar mistérios do mundo de Deus, mas não é o homem que deve penetrar no mundo de Deus. É o próprio Deus que atinge o homem com sua palavra, e isso faz através dos profetas. Moisés, certo dia, desejou que todos os membros do seu povo fossem profetas, habilitados para entender e interpretar a voz e o pensamento de Deus. A efusão do Espírito Santo no dia de Pentecostes torna ‘profetas’ todos os integrantes da comunidade cristã, capazes de escutar e fazer ressoar pelo mundo, a voz de Deus.
Segunda Leitura — 1ª Corintios 7: Para o povo de Israel, homens e mulheres que não se casavam e que não tinham filhos, não mereciam estima. Escrevendo aos cristãos de Corinto, Paulo introduz mudança importante nesse modo de pensar, com o enaltecimento da virgindade. Começa com constatação: o matrimônio é instituição sagrada mas há perigo de que pessoas casadas se deixem envolver pelas preocupações do mundo a ponto de deixar em segundo plano a união com o Senhor. Quem é casado afirma tem o coração dividido. Preocupa-se com as coisas do mundo, como agradar à esposa, ao passo que quem não é casado está livre para dedicar-se ao Senhor. O apóstolo não ensina que não casados são melhores do que os que vivem no matrimônio, nem que amor conjugal e vida sexual afastam de Deus.
Quem não tem família tem o coração livre para dedicar-se por completo a Deus e a os irmãos. Paulo fala, então, da virgindade autêntica, aquela que vivida como dom do Senhor. É falsa a ‘virgindade’ que afasta dos homens, que enclausura pessoas num pequeno mundo e em equivocada relação com Deus que só produz solidão e tristeza. A verdadeira ‘virgindade’ não afasta dos irmãos:. Ao contrário, abre o coração ao amor sem limites e sem condições.
Evangelho — Marcos 1: Jesus se põe a ensinar e sua fala é apreciada. Diversamente dos escribas, fala com autoridade. Eis o episódio central do evangelho de hoje: homem possuído por espírito imundo, calmo até aquele momento, não incomodava os celebrantes. A certa altura começa a gritar e invectivar contra Jesus. Quem é esse? Ninguém tinha resposta certa. A única certeza era que os homens se sentiam impotentes diante de forças malignas que os oprimiam. Notamos que possuído está na sinagoga e, ao que parece, não cria problemas, não incomoda. Inicia hostilidades porque se sente fraco quando percebe que chegou o ‘homem forte’ com poderes para desmoronar seu reino.
Jesus dá duas ordens terminantes: ‘Cala-te!’, ‘Sai!’ O espírito imundo obedece. A situação do possuído representa quem ainda não encontrou Cristo. O demônio é o que desumaniza as pessoas. Forças demoníacas são sentimentos racistas ou tribais que impelem a ódio, discriminação, injustiça contra os diferentes, ansiedade pela bebida e droga, ganância que arrasta ao acúmulo de bens materiais, paixão sexual desenfreada e incontrolada. Um dia, Jesus entra em cena e tudo muda. Sua palavra é poderosa. O milagre acontece porque ele fala ‘com autoridade’.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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