Mágica: a arte de iludir


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Luiz Hendrigo com o coelho na cartola. Animal é usado em  seus shows
Luiz Hendrigo com o coelho na cartola. Animal é usado em seus shows
Uma das formas de entretenimento mais antigas praticadas no mundo comemorou o seu dia em todo o mundo neste 31 de janeiro. A mágica, cujos primeiros relatos de seu aparecimento datam de 1.700 antes de Cristo, resiste bravamente aos avanços das várias formas de tecnologia, das comunicações e continua exercendo fascínio e mistério sobre as pessoas, de crianças a velhos.
 
Em Franca, Luiz Hendrigo fez da arte de ser mágico o seu ganha-pão. Há 13 anos, roda a região fazendo shows para todos os tipos de público. 
 
Quando a reportagem o encontrou, em sua casa, a garagem mais parecia um backstage, a parte de trás de um palco, com fraques, cartolas, caixas de apetrechos e vários outros objetos que ele usa para se apresentar e para seus ensaios, ao lado da namorada e assistente Mísia Cintra.
 
A mágica, conta Hendrigo, começou cedo, aos 13 anos, por pura curiosidade. O namorado de uma das irmãs, que também gostava do assunto, o presenteou com uma revista trazendo truques básicos, o que despertou sua curiosidade. Na mesma época, a fabricante de brinquedos Estrela tinha um kit para crianças brincarem de mágico, com preço um pouco inacessível para o garoto Hendrigo.
 
Quando começou a fazer seus primeiros números, sem planejar que um dia fosse viver de mágica, pode perceber que as coisas estavam ficando sérias. “Foi quando comecei a deixar de ir para festas da família ou sair com amigos porque tinha apresentações para fazer”, disse. “Ganhava meus R$ 50 e ficava feliz da vida porque dava para comprar coisas de criança mesmo”.
 
Depois de alguns anos se apresentando com o cunhado, decidiu que precisava ganhar um pouco mais de dinheiro e foi tentar ser vendedor em loja de roupas. A experiência durou um mês e Hendrigo voltou mais que depressa para o que gostava mesmo de fazer.
 
De cinco anos para cá resolveu profissionalizar-se de uma vez. Abriu empresa, comprou um pequeno furgão, que circula adesivado e é seu veículo de trabalho. Para sua promoção pessoal, além do boca a boca e das indicações de quem o contrata, faz uso constante da internet, com seu perfil em redes sociais.
 
Hoje, conta Hendrigo, é consenso que quase não há espaço para novas criações e quase tudo é releitura de números já criados por mestres do ilusionismo e aplicados com algumas modificações.
 
Mesmo assim, as apresentações exigem preparação, treino e provocam frio na barriga. O horário de criação do mágico francano é a noite. Em casa passa horas durante a madrugada assistindo shows de mágicos como David Copperfield ou David Blaine.
 
Avanços
A tecnologia citada no começo desta matéria não apenas não prejudicou a execução de uma arte milenar, como vem servindo de ferramentas nos shows, com o uso de celulares e tablets que fazem moedas saírem de dentro dos aparelhos para irem parar na mão de Hendrigo.
 
Toda a bagagem e anos de experiência, mesmo com aulas de teatro para ajudar na abordagem, dicção e presença de palco, não impedem que o frio na barriga apareça de vez em quando, como quando se apresentou para um público superior a 10 mil pessoas em Pedregulho.
 
O calafrio maior e mais intenso aconteceu algum tempo atrás quando foi chamado para se apresentar ao vivo, em rede nacional de televisão, no programa do apresentador Ratinho, do SBT. “Quando vi que meu nome apareceu naqueles monitores e o Ratinho falou ‘Agora com vocês, o mágico Hendrigo’, eu gelei”, contou. “Apesar do nervosismo acabou dando tudo certo”.
 
Mesmo com a trajetória profissional, que o faz dizer que “vive da mágica e paga todas as suas conta com ela”, a arte pode perder Hendrigo daqui a uns anos. 
 
Aluno do quarto ano de Direito, ele ainda coloca a profissão à frente de qualquer compromisso da faculdade, a ponto de optar pelos shows mesmo quando o horário coincide com provas, por exemplo. “A mágica vem em primeiro lugar”, afirmou com convicção.
 
Ao concluir o curso, acredita que não continuará com a atual profissão nos moldes como atua hoje. “Parar sei que não vou, mas o Direito pode me ajudar mais financeiramente”, disse. “Quero continuar com os shows que faço em asilos, abrigos, para crianças carentes. Isso não vou parar nunca.”

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