O filósofo pop star Nietzsche dizia que um complexo fechado é um complexo morto. A mim, me parece bastante claro que, independente da ciência que estejamos tratando, a troca é fundamental para a existência, embora eu viva testando os limites da secura. Pois bem, eis que é uma segunda-feira, estamos de férias tomando um café em São Paulo e discutindo se a rua Mello Alves seria a próxima ou a seguinte, um estranho solícito nos indica a rua e de quebra entabula conversa conosco. O papo dura um bom tempo, descobrimos coisas em comum, ele nos contou de sua visão do mundo que anda tão confuso.
A fome começou e o assunto restaurante se iniciou. Nós com uma lista de lugares para conhecer, ele diz: já que vão à rua Mello Alves e já que querem autenticidade, vocês não vão se arrepender do Le Jazz. Bingo! Ele estava na minha lista, embora não fosse dos preferenciais. Nos despedimos e cada qual seguiu seu turno. E posso dizer que o nosso foi bastante feliz. Eita coisa boa chegar num lugar onde o que importa mesmo é a comida; onde as pessoas ao invés de se mostrarem, parecem mais é querer se esconder; onde a agitação é a conversa que os comensais jogam fora; onde o serviço é cordial sem jamais ser subserviente. Pois então, o Le Jazz é exatamente assim e um pouco mais. Logo na entrada me senti feliz com a autenticidade dos revestimentos nas paredes e chão, dos móveis, a iluminação belle époque, os quadros na parede, a nos remeterem ao jazz em sua época de ouro. Musas óbvias do jazz, como Ella Fitzgerald, tem nome e rosto estampados nas paredes, mas também musas menos esperadas, como a provocante Josephine Baker, também estão lá.
A pegada do restaurante é francesa, só que descomplicada. Eles servem pratos tradicionalíssimos da culinária francesa, mas que não te impedem de trabalhar depois: menos creme, menos molho. O jovem chef Chico Ferreira acertou a mão, o que permitiu que a casa se multiplicasse em três. E nós não conhecíamos nenhuma.
Eu pedi uma bisteca dupla de porco, pensei que viriam duas bistecas. Mas não, ela é dupla por conta do corte, ao invés daquela bisteca fina, ela é alta, o que permite maior tempo de cozimento sem intensificar o ressecamento, além disso, permite que venha num único osso uma quantidade boa de carne, uma delícia.
Destaque também para a salada de folhas verdes com queijo de cabra gratinado, a famosa salada de folhas com chèvre chaud. É a melhor que já comi por aqui, vale por uma refeição. Enfim, uma excelente dica que repasso para vocês aqui. Quanto ao preço, não é barato, mas é justo - a meu ver, a melhor qualidade de um restaurante...
E como as pessoas parecem se esconder por lá, não é que almoçamos coladinhos na Patrícia Pillar!
DICA DA SEMANA
Crepes
Fazer boas panquecas ou crepes é mais fácil do que se imagina e depois da terceira ou quarta não tem erro mais. Só um tantinho de prática e a frigideira correta! Com teflon novinho fica fácil. A receita da panqueca americana não dá errado nunca, mas fica aquela massa mais grossa, a do crepe é mais fininha, eu prefiro.
No livro Quando Katie cozinha tem uma receita deliciosa de panqueca, bem úmida, isso porque ela faz duas pequenas modificações que valem a pena.
A primeira é adicionar iogurte natural à massa, além do leite; ela ganha textura e leveza. A outra dica é usar meio a meio a farinha de trigo branca e a integral.
Aí, temos uma receita de crepe levemente alterada: 1 xícara de farinha branca, 1 xícara de farinha de trigo integral, 3 xícaras de leite, 4 ovos e 1 xícara de iogurte natural. Bata os ovos, o iogurte e o leite e vá adicionando às farinhas peneiradas. O resto é igual.
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