Assalto ao nosso bolso


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Depois a classe política brasileira diz não entender quais as razões que levam a população a avaliar tão mal a sua atuação. São anos de descalabros e roubalheira daqueles que se perpetuam no poder à custa dos votos de um eleitor desmotivado e desinteressado pelo que se faz para interferir no seu cotidiano. Além da corrupção, há vantagens que não encontram paralelo em qualquer país do mundo. Altos salários apenas não bastam. Benefícios, facilidades e outros ‘mimos’, todos bancados pelo dinheiro do contribuinte, transformam os parlamentares brasileiros (principalmente os do Congresso Nacional) donos de vencimentos bem acima de seus pares em outros países.
 
Aqui em Franca, os descompromissos com as boas práticas da administração pública se sucedem. A última delas, uma licitação bastante suspeita levada a efeito pela Secretaria Municipal de Recursos Humanos para a compra de um veículo destinado ao “uso cotidiano” da repartição. Além da busca um veículo de luxo, com custo superior a R$ 80 mil, há algo mais estranho: as 47 exigências do edital direcionaram a escolha para apenas um modelo vendido no Brasil, o que traz a suspeita de licitação direcionada, como informa este Comércio em sua edição de ontem. A Prefeitura Municipal, que alega enfrentar problemas de caixa para manter o atendimento em unidades de saúde e outros setores básicos, não explica este gasto. Como não esclarece nada à população, com certeza o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e o secretário Humberto Mazza terão muito que explicar à Justiça. Por exemplo, por que a secretaria não buscou um veículo popular, que custa R$ 50 mil a menos do que o modelo adquirido?
 
Outro exemplo da falta de consideração com os eleitores, aqui em São Paulo: deputados estaduais gastaram quase R$ 17 milhões com verba indenizatória no ano passado. A quantia foi usada para o ressarcimento de despesas com telefone, material publicitário, aluguel de carro e combustíveis. Em 2014, segundo a Assembleia Legislativa, cada deputado teve direito a R$ 302 mil para o ressarcimento das despesas. O campeão de gastos foi o deputado Itamar Borges (PMDB), que recebeu R$ 285 mil ao longo do ano. Foram R$ 75 mil só com a conta de telefone fixo — uma média de R$ 6,3 mil por mês, segundo dados do próprio legislativo. Na outra ponta, Marco Zerbini (PSDB) gastou R$ 8 mil em todo o ano passado, pouco mais do que Borges despendeu por mês só com telefone.
 
É preciso que o eleitor fique atento à forma como estes parlamentares (o mesmo ocorre no Congresso Nacional, onde pagamos até selos e envios de cartas) manipulam o dinheiro suado do trabalhador brasileiro que, sem qualquer exceção, paga impostos, sejam eles como alíquotas ou então embutidos no preço de produtos e serviços. Temos que encontrar candidatos que vejam o cargo público não como algo que lhes dê vantagens, mas sim uma posição que lhes permita trabalhar em prol de quem os elegeu. Do contrário, continuaremos acompanhando estes descalabros que jogam o Brasil em posições nada condizentes com a sua grandeza em rankings internacionais.
 
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