É bom o estado de saúde da vigilante Elaine Cristina da Silva, 39, que tentou se matar com um tiro no peito após assassinar uma policial militar domingo à noite. De acordo com o boletim médico divulgado na tarde de ontem, a recuperação evolui de maneira positiva, ela está consciente e conversa normalmente. Apesar da melhora, não há previsão de alta por causa de um dreno colocado em seu tórax. Se as informações do quadro clínico são boas, o mesmo não se pode dizer da situação criminal.
Presa em flagrante por homicídio doloso, Elaine, que é vigiada 24 horas por uma escolta da PM no hospital, também vai responder a processo por furto qualificado e porte ilegal de arma de fogo. Funcionária de uma empresa de segurança sediada em Ribeirão Preto, que presta serviço para o DER (Departamento de Estrada de Rodagem) em Franca, ela usou um revólver Taurus, calibre 38, com capacidade de cinco tiros, e dez munições intactas para matar a soldado de segunda classe Marcela Maria de Oliveira, 31.
“O representante da empresa dona da arma esteve na delegacia e registrou a ocorrência de furto, informando que ela não tinha autorização para retirar e sair do local com a arma. Diante dos fatos, abrimos um inquérito policial para apurar o furto e, eventualmente, o crime de porte ilegal”, disse o delegado Pedro Luiz Dallaqua, responsável pelo 1º Distrito Policial.
Segundo a Polícia Civil, a vigilante tinha autorização para portar a arma apenas nos seus locais de trabalho. “Ela subtraiu o revólver e saiu para a rua sem autorização. Portanto, além do inquérito pelo homicídio, que corre na DIG, também responderá pelo furto aqui no 1º DP. Assim que receber alta, ela será ouvida sobre os fatos. Em seguida, vamos encaminhar o caso para a Justiça e a situação da acusada pode se complicar ainda mais”, concluiu o policial.
A pena do crime de furto simples vai de um a quatro anos de reclusão. Mas, neste caso, como houve a qualificadora de abuso de confiança, a sentença prevista, em caso de condenação, é de dois a oito anos.
Na terça-feira, a vigilante falou pela primeira vez sobre o assassinato. Admitiu que a motivação foi passional, falou que se sentiu traída ao ver a soldado com outra e que estaria arrependida. Ela matou a ex-companheira com três tiros no peito no meio da rua, no Jardim Paineiras. “Perdi a cabeça e fiz esta besteira”, disse ela, durante conversa informal com o investigador Luciano Tavares na Santa Casa.
A equipe da DIG aguarda a acusada se recuperar para colher o depoimento formal. O inquérito que apura o homicídio deverá ser encaminhado para a Justiça na próxima terça-feira. Tão logo receba alta, Elaine será levada para a cadeia do Jardim Guanabara.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.