Que o Brasil vive uma situação bastante difícil, em termos econômicos, não é novidade para ninguém. E nem que a inflação oficial, no período de um ano, ficou um pouco acima de 6%. E é este índice que vem balizando todos os reajustes salariais no País. Pelo menos os da classe trabalhadora, que produz e paga seus impostos, os quais financiam os cofres públicos. Por isso, não deixa de causar indignação quando se vê que os eleitos para defenderem este mesmo povo não se envergonham em ostentar vantagens que não beneficiam o trabalhador comum. O reajuste salarial em patamares muito acima da inflação oficial para os entes públicos e seus assessores é uma delas.
Recentemente, a aprovação de reajuste nos vencimentos dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e para o primeiro escalão da administração federal causou um efeito cascata que atingirá até o que recebem os vereadores de todo o País. Ou seja, quando se trata do que é bancado pelo contribuinte brasileiro, não há economias ou austeridade. Em uma empresa privada, os reajustes salariais só saem apenas depois de muita negociação com as categorias de trabalhadores e excedem, em um ou dois pontos, a inflação oficial, a título de aumento real. Caso não fosse assim, ainda mais diante do momento em que vive a economia do País, fatalmente quebrariam, causando um desemprego que não ajudaria em nada na conjuntura atual.
Mas tudo acontece diferente quando se trata de nossa classe política. E Franca não passa imune a esta situação. Conforme informação do Comércio em sua edição de ontem, o Legislativo local pode aprovar um aumento salarial de quase 22% para os assessores parlamentares. A proposta, da Mesa da Câmara, deve ser votada em fevereiro. Já no ano passado matéria semelhante foi aprovada por 11 votos, mas não chegou a entrar em vigor por ter sido aprovada fora do prazo legal. Desta vez, propõe-se uma mudança no nível salarial dos assessores, que hoje recebem R$ 2.836,70 e passariam a ter vencimentos de R$ 3.459,32. É bom lembrar que são proventos bem acima da média do trabalhador brasileiro e os cargos são de livre nomeação. Nenhum deles precisa se submeter a concurso público.
Mais uma vez tenta-se pespegar um recibo de imbecil ao cidadão francano. As explicações do presidente da Câmara, Marco Garcia (PPS) são claramente inconsistentes. Qualquer trabalhador que necessite estudar precisa se programar, buscar recursos ou bolsa de estudo para fazê-lo. Um aumento no nível pretendido pelos assessores é um verdadeiro tapa na cara daqueles que, hoje, estão apertando o cinto diante da ‘chuva’ de aumentos programada pelo governo federal e que irá atingir inapelavelmente os trabalhadores brasileiros. Se os vereadores francanos aprovarem a matéria, com certeza estarão dando mostras claras de que não se preocupam com a opinião e a situação dos seus eleitores, os quais certamente irão se lembrar bem disso nas eleições que ocorrerão dentro de dois anos.
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