Dois anos depois de o Ministério Público ter iniciado uma investigação para apurar denúncias de que a Prefeitura de Franca usou terra do cemitério Santo Agostinho com restos de ossos e caixões na construção da praça Zumbi dos Palmares, no Parque São Jorge, a administração publicou ontem a contratação de uma empresa especializada para fazer a sondagem do solo e apurar se houve contaminação no local. Em fevereiro de 2013, o Comércio denunciou o caso.
Por um contrato de R$ 35 mil, a empresa Index Ambiental Limitada fará a investigação dos resíduos ambientais na área da praça, para apontar ou não se houve contaminação do lençol freático por chorume e metais pesados.
Construída a partir de 2006, a praça Zumbi dos Palmares custou R$ 356 mil contra os R$ 150 mil previstos inicialmente. Ficou pronta em novembro de 2007.
No começo de 2013, a reportagem do Comércio mostrou que a quantidade de caminhões que despejaram terra do Santo Agostinho na praça era imprecisa. Na época, o cemitério passava por obras de ampliação, com consequente exumação de inúmeros restos mortais.
A terra retirada do Santo Agostinho e levada para a praça teria sido usada para firmar o solo, tendo sido usada a 80 centímetros da superfície.
Servidores ouvidos informaram que a ordem para a remoção dos entulhos teria partido do atual secretário de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Rodrigues Tavares. Ontem, a reportagem ligou diversas vezes para o seu celular, que não atendeu. Na secretaria sob o seu comando, o telefone também chamou sem que a ligação fosse completada em nenhuma ocasião.
Naquela ocasião, o Ministério Público decidiu abrir procedimentos investigatórios em duas promotorias diferentes. Na de Cidadania, segundo o promotor Paulo Borges, a investigação seria feita para apurar a conduta do secretário Ismar Tavares.
Na Promotoria do Meio Ambiente, o trabalho seria investigar se a terra depositada na Zumbi dos Palmares havia ou não contaminado o solo. Um laudo inicial, encomendado pelo MP à Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), apontou que o lençol freático não havia sido atingido por resíduos contaminantes.
Um segundo estudo, cogitado pelo promotor Paulo Borges dois anos atrás, para constatar outro tipo de contaminação, desta vez no solo, é o objeto do contrato entre a Prefeitura e a Index Ambiental.
O Comércio solicitou à administração municipal informações sobre o contrato e as razões de somente agora ele ter sido firmado. O pedido foi feito por e-mail à assessoria de imprensa da Prefeitura, mas não foi respondido.
Da mesma forma, o promotor Paulo Borges foi procurado ontem à tarde, quando a informação em seu gabinete foi a de que ele se encontrava em compromisso externo. Após as 18 horas, o promotor chegou a atender seu celular, mas pediu que a reportagem ligasse posteriormente. Nova ligação foi feita 10 minutos depois, mas não foi completada.
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