Variação nos preços do material escolar em Franca é de até 1.800%


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Movimentação em papelaria de Franca no início desta semana: os preços variam principalmente por causa de marcas em evidência, principalmente as infantis
Movimentação em papelaria de Franca no início desta semana: os preços variam principalmente por causa de marcas em evidência, principalmente as infantis
O primeiro compromisso da auxiliar administrativa Juliana Ferreira da Costa, 29, na manhã da última segunda-feira, foi deixar a filha, Camila, de 8 anos, na casa dos pais, para poder ir atrás de preços mais em conta para a enorme lista de material escolar que já recebeu. O que Juliana fez é o recomendado pelo Procon. Se a pesquisa ajuda a fugir das enormes variações de preços, ela nada resolve em relação à alta carga tributária embutida na composição de preços dos produtos e que pode chegar a quase 50% em alguns materiais.
 
Com salário de pouco mais de R$ 1.600 em uma fábrica de calçados, a mãe de Camila acredita que a lista completa pode passar dos R$ 300.
 
A reportagem a encontrou no final da manhã em uma papelaria na região da Estação, a quarta pela qual ela passava com a mesma lista nas mãos. Foi também a última e a que mais agradou nos preços. No fim, desembolsou R$ 269,90, mas sabe que precisará gastar mais.
 
A lista enorme, cheia de itens, é uma preocupação de qualquer pai com filhos em idade escolar e, segundo o Procon, as variações de preço sempre existiram. 
 
Na semana passada, o órgão disponibilizou em sua página no site da Prefeitura (www.franca.sp.gov.br), o resultado da comparação de dezenas de itens em seis estabelecimentos da cidade. As variações ocorrem entre marcas consagradas e líderes do mercado e entre as menos conhecidas. Quando as duas realidades são comparadas, as diferenças ficam ainda maiores.
 
Para ilustrar o exemplo acima, um apontador plástico da marca Faber Castell pode custar de R$ 1,35 a R$ 4,50 (233,33%). Já um similar, mas não da mesma marca, oscila entre R$ 0,45 e R$ 0,25. Se não forem levados em conta o nome do fabricante, o maior preço de um apontador pesquisado pelo Procon é 1.800% superior ao menor encontrado nas lojas pesquisadas. Se preferir outra conta, basta dizer que com o mais caro seria possível comprar 18 do mais barato.
 
Mesmo diante de flagrantes absurdos como esse ou como a variação de 900% no preço de uma simples borracha, o órgão pouco pode fazer para mudar essa realidade. Segundo Luís Antônio Murari, coordenador interino do Procon de Franca, os preços variam principalmente por causa de marcas em evidência, principalmente as infantis, que abusam do visual para chamar a atenção dos compradores.
 
“O Procon não tem poder sobre os preços, porque não existe tabelamento”, afirmou Murari. “O que orientamos é que o consumidor faça a pesquisa e sinta como é importante essa diferença entre um lugar e outro”.
 
Tributos
Não são apenas os preços aparentes, aqueles que podem servir de base na decisão de comprar ou não determinado produto, que preocupam os brasileiros. Índices não evidenciados no momento da compra e desconhecido da maioria da população compõem os preços e chamam a atenção pela alta tributação.
 
Depois de fazer uma pequena compra de alimentos em um supermercado da avenida Chico Júlio, o eletricista industrial Élder Aparecido Giotto, 41, também estava rondando a pequena seção de materiais escolares do local. Com três filhos em idade escolar, entre 9 e 14 anos, ele não consegue calcular quanto vai precisar desembolsar este ano para dar conta de três listas diferentes. 
 
Aproveitando que estava com um caderno desses com repartições para matérias, a reportagem perguntou se ele sabia quanto de impostos acredita que pagaria no preço final do produto, caso o levasse para a casa. 
 
Élder não soube responder, mas ficou chocado quando informado que um caderno universitário tem embutidos 34,99% de impostos em seu preço final. Uma caneta esferográfica comum é tributada em 47,49% e do valor de um tubo de cola, 42,71% vai para os cofres do governo.
 
Os números fazem parte de um levantamento do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) que mostra quanto de imposto cada item escolar comerá do bolso do consumidor em 2015.
 
Segundo o instituto, por lei, apenas os livros didáticos são imunes, não sofrendo tributação direta, mas mesmo assim a incidência de encargos sobre a folha de pagamento das empresas e sobre o lucro da venda gera uma carga tributária de 15,52% neste tipo de material.
 

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