‘Charlie’, Indonésia e nós


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Inesperadamente, assim como um tsunami, Charlie Hebdo, Indonésia e extremismo inundaram o noticiário mundial. Muitos nem sabiam que o jornal francês, de modestos 60 mil exemplares, é instrumento de perigosa sátira religiosa e abrigava tantos produtores de cartuns e charges. Assim também, poucos tinham conhecimento de que a Indonésia com sua cultura, que deve ser respeitada, controla e pune com mão-de-ferro quem ousa traficar drogas em seu território. Por conta do ataque à redação do jornal francês e da execução de traficantes — inclusive um brasileiro — esses elementos são destaques mundiais, situações geradas pelo radicalismo de uns e de outros. Toda vez que se contesta religião ou valores — independente de quais sejam — cria-se animosidade que pode ir a extremos, pois mexe-se no subjetivo terreno da fé. Quando se desrespeita leis e convenções de pais ou sociedade, assume-se os riscos. São situações perigosas que os envolvidos não podem ignorar. 
 
O mundo vive um período de contestações e, principalmente, de anarco-democracia. Sob o pretexto de exercer o próprio direito de expressão, de crença e até o simples direito de ir-e-vir, arrepia-se as leis e regulamentos e ainda busca-se a solidariedade de terceiros para atos cometidos. Por mais democrático que isso seja, os jornalistas-chargistas franceses sabiam onde estavam mexendo. Isso, no entanto, não dá o direito a ofendidos, por mais ofendidos que estejam, de matar. Da mesma forma, quem trafica sabendo que pode terminar em pena de morte, não é credor de solidariedade, a não ser a humana.
 
Essas  situações extremas servem para balizar a vida em sociedade. Todo cidadão tem que cumprir e respeitar as leis. Não o fazendo, arca com consequências. Vivemos tempo de leis pouco observadas e — pior — com autoridades impotentes para fazer valer a força legal, até comprometidas com quem arruaceiros, desordeiros e ilegalidade. Quando acontece, radicalismo e barbárie se apresentam através da corrupção, roubos, sequestros, chacinas. Se não resolver, talvez, um dia, a solução também esteja na extrema pena de morte...
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
 
 
 

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