Pelo menos 14 pessoas foram feridas por balas perdidas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro desde o último dia 17. Doze casos ocorreram na capital, um na cidade de Niterói e outro no município de São Gonçalo. Quatro pessoas morreram, entre elas, duas crianças de 4 e 9 anos -- uma menina saía de um restaurante com os pais e um garoto foi atingido quando se divertia num clube recreativo. Além disso, o Mapa da Violência mostra que, em trinta anos, a evolução das vítimas fatais de armas de fogo foi assustadora: entre 1980 e 2010 perto de 800 mil cidadãos morreram por disparos de algum tipo de arma de fogo. Nesse período, as vítimas passam de 8.710 no ano de 1980 para 38.892 em 2010, um crescimento de 346,5%, ao mesmo tempo em que a população do País cresceu 60,3%.
Como se pode ver, a grande campanha de desarmamento no País não atingiu a meta esperada: o número de vítimas, fatais ou não, sofreu um aumento assustador sem que o principal alvo do desarmamento, o crime organizado, tenha sido atingido. Sem uma política clara para o setor de segurança, principalmente quanto à venda marginal de armas, percebe-se que a campanha efetivada pelo governo federal serviu apenas para desarmar o cidadão: a bandidagem continua aumentando o seu arsenal, sendo que algumas facções criminosas portam armamento pesado e tecnologicamente mais avançado do que as forças de segurança regulares.
As Polícias Federal e estaduais fazem o que podem e têm conseguido desbaratar quadrilhas e apreendido armas, incluindo aí algumas de uso restrito das Forças Armadas. Mas enquanto temos fronteiras extensas sem vigilância e países vizinhos onde o comércio de armas não sofre uma fiscalização mais acurada, dificilmente teremos condições de fazer frente a esta escalada da violência onde vidas são tiradas como se nada valessem. É uma situação inaceitável e que exige uma ação imediata. E esta passa pelo governo federal, que precisa encontrar uma fórmula para barrar a entrada de armas e drogas (estas, que alimentam o crime organizado) pelos milhares de quilômetros de fronteiras ‘secas’, principalmente com países onde o tráfico não recebe o combate devido.
Enquanto as armas estiverem nas mãos dos marginais ou houver facilidade para sua obtenção o cidadão brasileiro cioso de seus deveres continuará vendo os seus direitos (e a sua vida) negligenciados. Num País de tamanho continental como o Brasil, é necessário que a vigilância seja reforçada, as polícias estaduais melhor equipadas e treinadas e o trabalho de inteligência aprimorado. Sem uma participação do governo federal, nada disso será possível. As armas e drogas continuarão entrando em nosso País, fazendo a cada dia mais vítimas. E assim, o crime organizado vai continuar ganhando de goleada. E os grandes perdedores serão os brasileiros, que continuarão à mercê de uma violência que a cada dia faz mais vítimas inocentes.
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