Preconceito asqueroso


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Ao longo da história da humanidade, o preconceito (seja ele de gênero, de raça ou religioso) foi o responsável por grandes tragédias. O holocausto nazista teve como motivação a intolerância racista. Algo parecido ocorre hoje no Oriente Médio, onde uma fé religiosa deturpada é responsável pela morte de inocentes não só lá, também pelo mundo afora. No início da década de 1980, homossexuais passaram a sofrer agressões em razão da epidemia de Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). Muitos foram segregados antes de se descobrir que a doença não era restrita à orientação sexual de seu portador. Quantas histórias não conhecemos, no dia-a-dia, onde vítimas são apontadas como causadoras de seus infortúnios por causa do preconceito arraigado em certas culturas?
 
Olhando de maneira isenta, causa profunda revolta uma série de comentários homofóbicos publicados por leitores no Portal CGN na sequência da reportagem noticiando o assassinato de uma policial militar feminina. Conforme o divulgado ontem, Marcela Maria de Oliveira, 31, foi morta a tiros pela ex-companheira, a vigilante Elaine Cristina da Silva, 39, com quem conviveu por vários anos e não se conformava com o término do relacionamento. Depois, a vigilante tentou se matar. Um fato trágico que remete a muitos outros crimes passionais protagonizados por casais heterossexuais ou não. E ponto. A ocorrência causou profunda comoção no Jardim Paineiras e em toda a cidade de Franca.
 
Porém, algumas postagens no Portal GCN, demonstrando o asqueroso preconceito que ainda move algumas pessoas, tenta criar um vínculo entre o tipo de relacionamento amoroso das duas mulheres e o crime. Como se tal também não ocorresse entre casais heterossexuais. O que não se consegue entender, diante dos comentários homofóbicos — que deixaram dezenas de leitores indignados, os quais fizeram questão de também registrar as suas opiniões —, é a falta de informação e o preconceito que ainda estão arraigados em nossa cultura. O País registra, diariamente, preconceito de raça, da mesma forma que preconceito de gênero e até preconceito religioso. É algo que não deveria ocorrer em uma sociedade formada por diversas raças. Recorrer ao preconceito e à discriminação é impensável para este caldeirão de culturas chamado Brasil.
 
Nada justifica um assassinato como o registrado na noite de domingo. A violência não é o caminho para a resolução de qualquer pendência. Mas ninguém mata apenas por ser homossexual ou heterossexual, branco ou negro, católico ou muçulmano. O ser humano é bem mais complexo. É lamentável que, diante de um crime brutal ou trágico, ainda exista quem se preocupe com a sexualidade das personagens envolvidas. Da mesma forma, é revoltante quem procure encontrar motivos alheios ao fato em si para justificar suas opiniões preconceituosas. Em vez de lamentar a tragédia, que abalou mais de uma família e deixou uma criança de nove anos órfã, é triste que tenhamos de nos indignar com opiniões discriminatórias e homofóbicas. Isso precisa mudar e não apenas nas leis, também na vida real.
 
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