A construção de quatro novas creches-escolas (Jardim Luiza, Palermo City, Quinta do Café e Jardim Guanabara) não tem previsão de entrega. As unidades estão sendo erguidas pela empresa FFC Engenharia e Construções, contratada pela Prefeitura de Franca em 2013 para realizar os serviços, mas desde o início deste mês as obras estão paradas. Nesta segunda-feira, um grupo de 30 funcionários resolveu cruzar os braços por falta de pagamento.
Segundo os trabalhadores, desde que começaram as obras no final de 2013, eles têm trabalhado em um sistema de rodízio. Cada semana estão em um local e são constantemente transferidos. Os problemas mais graves teriam começado em outubro do ano passado, quando foram registrados os primeiros atrasos no pagamento. “Depois eles passaram para uma outra empresa, o Grupo J, que disseram ser de Ribeirão, mas os problemas continuaram”, disse o pedreiro AJB, 40.
Agora os funcionários já somam dois meses sem salários. “A promessa era pagar até dia 23 de dezembro, mas não pagaram. Minhas contas estão vencendo. Pedi dinheiro emprestado e meu nome está quase indo para o Serasa”, disse o ajudante geral IMC, 50.
Além dos empregados, os fornecedores também cobram pagamentos. No momento em que a reportagem esteve na creche do Jardim Guanabara, dois deles faziam a cobrança de materiais já entregues. “Passaram um cheque sem fundo. Eles me devem R$ 1.240”, disse um homem que se identificou como funcionário de uma madeireira.
O secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Nicola Rossano, disse que, por parte da Prefeitura, os pagamentos para a FFC estão em dia. “Pagamos de acordo com o andamento das obras. Não estamos devendo nada.” Segundo ele, o pagamento de funcionários é responsabilidade exclusiva da empresa.
O secretário confirmou o atraso nas obras. “Estivemos nos locais e constatamos que não será possível a conclusão até o mês que vem, como o previsto.” Rossano disse que, por conta dos problemas, abriu sindicâncias para apurar como estão as construções e descobrir se a FFC ainda tem condições de entregar os projetos. “Vamos fiscalizar todos os detalhes. E, se concluirmos que a empresa não tem como terminar, faremos uma nova licitação.”
Segundo o site da Prefeitura, até dezembro deste ano, a FFC já havia recebido 66% do total. Para as quatro creches, o orçamento foi de R$. 6,3 milhões. O total já repassado é de R$ 4,2 milhões. “Sobre os valores, também iremos averiguar. Se forem constatadas irregularidades, pediremos a devolução”, completou o secretário. Rossano disse ainda desconhecer o Grupo J, citado pelos trabalhadores.
A FFC foi procurada para comentar as reclamações e o atraso na entrega das creches, mas ninguém atendeu aos telefones da empresa. A reportagem também esteve no endereço indicado como sede da construtora, no Centro de Franca. O local estava fechado com cadeados no portão. A impressão era de que não havia nenhuma empresa instalada, já que a frente do imóvel estava suja e repleta de papéis e panfletos antigos.
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