Marcela Maria de Oliveira, 31 anos, policial militar em fase de formação pelo 15º Batalhão de Polícia Militar, sediado em Franca, foi assassinada com três tiros no peito, domingo à noite, no Jardim Paineiras. O crime aconteceu perto do filho dela, um menino de oito anos. A motivação para o primeiro homicídio registrado em Franca em 2015 foi passional: a soldado de segunda classe foi baleada pela ex-namorada, a vigilante Elaine Cristina da Silva, 39, que não aceitava o fim do relacionamento. Após matar, a acusada foi para a casa da vítima, entrou no quarto e tentou tirar a própria vida efetuando um disparo no tórax. Ela segue internada. Se conseguir se recuperar, será levada direto para a cadeia.
Marcela entrou para a Polícia Militar em julho do ano passado. Ela concluiu o curso básico, ministrado no Batalhão, e estava cursando o módulo avançado, com matérias específicas, e deveria se formar nos próximos meses. Elaine trabalhava como vigia armada no DER (Departamento de Estradas de Rodagem). A Polícia Civil apurou que ambas estavam juntas há sete anos e terminaram o relacionamento no fim de 2014.
Desde dezembro, Marcela estava com uma nova companheira, de São Paulo. Esta mulher é a testemunha-chave e contou detalhes do crime ao delegado Milessandro Mazola Moretti, que estava de plantão no dia dos fatos. “A testemunha estava na casa da policial. A vítima contou a ela que a ex-companheira não estava se conformando com o fim do relacionamento e que temia por alguma represália. A vigilante, que tinha as chaves da casa, chegou na residência logo em seguida, dando início a uma discussão”, disse o delegado. Segundo ele, pouco depois Elaine foi embora.
Imaginando que o pior já havia passado, a policial saiu com o filho e a namorada em um Corsa preto para comerem um lanche. A vigia estava escondida nas proximidades, com um Gol chumbo, e passou a seguir a vítima. No quarteirão de cima, na rua Pastor Joaquim Honório Tostes, ela fechou o carro da soldado. Eram 22 horas. Assustada, Marcela, que estava no banco do passageiro, desceu para conversar com a ex. Ainda teve tempo de pedir à nova companheira que saísse do local e levasse o seu filho, pois temia por ele. “Quando a testemunha saía com o carro, ela ouviu os disparos e chamou a polícia”, disse o delegado Milessandro. A soldado, que estava de folga e em trajes civis, foi atingida por três disparos e caiu morta no meio da rua. Os tiros foram à queima-roupa. A vítima ficou com as mãos chamuscadas, o que evidencia que tentou arrancar o revólver das mãos da ex-namorada. A PM lutava capoeira.
Enquanto atendiam à ocorrência de homicídio, os policiais ouviram novo disparo nas proximidades. Se deslocaram para a casa da soldado, na rua Francisco Fernandes Mateus, distante cerca de cem metros, e encontraram a vigilante caída na cama com um ferimento no peito. No local, foi apreendido um revólver calibre 38, que é da empresa de vigilância na qual trabalhava, com quatro cápsulas deflagradas.
Elaine foi levada para a Santa Casa e passou por cirurgia. Ela deixou a UTI e está em observação em um quarto sob escolta policial. O corpo da soldado Marcela foi velado em Franca e sepultado no fim da tarde em Sacramento (MG).
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.